Chamar um indocumentado de ‘ilegal’ poderá custar US $ 250.000 em multas

As agências de imigração, por ordem da administração do presidente Joe Biden, deixarão de usar termos como “estrangeiro” e “ilegal” para se referir a imigrantes. Esses termos, usados com demasiada frequência pela administração do ex-presidente Donald Trump, têm uma conotação depreciativa e discriminatória, argumentam grupos de defesa dos imigrantes.

Essa ordem está detalhada em um memorando que está programado para ser enviado segunda-feira aos chefes de departamento de Imigração e Alfândega (ICE) e Customs and Border Protection (CBP), os principais executores das leis federais de imigração no país, conforme relatado pelo The Washington Post.

A cessação do uso de termos depreciativos faz parte de um esforço do governo Biden para reverter as políticas punitivas do ex-presidente Trump e desta forma avançar em direção a um sistema de imigração mais humano e inclusivo. A cópia do memorando publicado pelo The Post indica que o termo “estrangeiro” será substituído por: “não-cidadão ou imigrante”. O termo ‘ilegal’ passará a ser “não documentado”. Mas a cidade de New York foi uma das pioneiras em mudar a linguagem para se referir a pessoas sem documentos.

Em 2019, a Big Apple baniu o termo ilegal quando usado “com a intenção de degradar, humilhar ou assediar uma pessoa”. Além disso, a diretriz também proíbe a discriminação contra uma pessoa por causa de sua proficiência em inglês, bem como ameaçar alguém de ligar para as autoridades de imigração “por um motivo discriminatório”. A violação dos estatutos aprovados pela Câmara Municipal resultaria em multas de até US $ 250.000. As políticas implementadas pela cidade aplicam-se aos estabelecimentos públicos, de emprego e de habitação, cabendo à Comissão de Direitos Humanos fazer cumprir as normas.

Em maio do ano passado, o Conselho Municipal aprovou uma lei que proíbe os funcionários da cidade de New York e as autoridades de aplicação da lei de usar o termo ilegal para se referir a pessoas sem documentos. A diretriz removeu as palavras “desumanizante e ofensivo” das leis, regras e documentos locais. Os funcionários devem usar a palavra “não cidadão” para se referir aos imigrantes. Os defensores dos imigrantes têm apontado o uso de palavras depreciativas por décadas. Em 1970, um grupo de estudantes de direito mexicano-americanos da UCLA escreveu ao Los Angeles Times para pedir que o jornal parasse de usar o termo “wetbacks” para se referir a pessoas que cruzavam ilegalmente a fronteira do México.

“Ainda enfrentamos termos insensíveis e racistas, como wetbacks, para nos referirmos a cidadãos mexicanos que entraram ilegalmente no país”, escreveram os alunos. O termo “wetback” dominou durante as décadas de 1950 e 1960, e essa palavra, por sua vez, substituiu o termo “indesejáveis”, popular na era da Grande Depressão. Na década de 1990, o termo “estrangeiro ilegal” já era considerado degradante porque era mais frequentemente usado para se referir a imigrantes do México.

Fonte: Brazilian Press

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