Morte de brasileira, de sede e fome no deserto, retrata a crise imigratória

Lenilda dos Santos, que morreu no deserto, deixou Rondônia com intuito de viver nos EUA

 

Lenilda dos Santos, de 49 anos, de Rondônia, que morreu no deserto dos EUA de sede e fome, retrata a crise imigratória na fronteira do México com os EUA. Dez mil imigrantes estão embaixo da Ponte Internacional Del Rio, no Texas, aguardando para pedir asilo aos EUA

 

Da Redação

A morte da brasileira Lenilda dos Santos, de 49 anos, de Rondônia, que morreu no deserto dos EUA de sede e fome – ela não suportou as altas temperaturas desérticas e foi abandonada pelos “coiotes” –, retrata a crise imigratória na fronteira do México com os EUA. Cerca de dez mil imigrantes – oriundos da Guatemala, Haiti, El Salvador, Honduras, Peru –, estão embaixo da Ponte Internacional Del Rio, da cidade Del Rio, no Texas, aguardando para se entregarem à Patrulha de Fronteira e pedir asilo aos EUA. Um desafio aos oficiais de imigração que tentam conter o contingente de pessoas, o que vem se tornando quase que impossível, alertam grupos de Direitos humanos.

A divulgação da morte estarrecedora da brasileira, que não suportou a caminhada pelo deserto dos EUA, descendo e subindo ladeiras – se escondendo do crivo da patrulha de fronteira –, rompeu o cordão do bom senso: vale a pena colocar a vida no fio da navalha? O corpo de Lenilda foi encontrado pelos agentes de fronteira do estado do Novo México. A  tentativa de entrar clandestinamente nos EUA a levou ao pior pesadelo: a morte.

É o retrato dos anos oitenta e noventa que se repete, quando, na ocasião,  brasileiros buscavam a rota do deserto entre o México e EUA para chegar ao seu destino, a cidade de Nova York. E muitos foram encontrados mortos, outros se entregaram à polícia de fronteira, desencadeando uma sucessão de fatos estarrecedores, alimentados por uma rede de traficantes – os chamados “coiotes” –, que se beneficiavam – ainda se beneficiam –, com a busca de pessoas inexperientes pelo sonho americano, abrindo mão de bens, deixando a família desprotegida.

Lenilda dos Santos, assim como tantos outros brasileiros que buscam alternativas de sobrevivência, deixou Rondônia impulsionada pela decisão de fugir da instabilidade econômica do Brasil – gasolina em alta, inflação descontrolada e um governo que se digladia com outras esferas do poder. A brasileira colocou os pés no deserto, mas se deu mal, infelizmente.

 

Brasileiros detidos

E ainda nesta quinta-feira – pasme leitor –, um grupo de 140 brasileiros foi detido no estado do Arizona. Câmeras de segurança flagraram a entrada desse grupo, e guardas de fronteiras interromperam a travessia. Segundo autoridades locais, mais de 600 migrantes por dia são detidos pela Patrulha de Fronteira, um aumento de mais de 2.000% em relação ao ano passado.

Dados do órgão de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA obtidos apontam que, de outubro de 2020 a agosto de 2021, 46.410 brasileiros foram detidos ao cruzar ilegalmente a fronteira sul do país através do México — um recorde.

 

 

 

 

 

Fonte: Nossa Gente

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