Vacinadas, pessoas com mais de 60 anos voltam a procurar por viagens

À medida que a vacinação avança no país, turistas mais velhos, muitos dos quais já completamente imunizados, começam a retomar o interesse por viagens. Agências focadas no turista com mais de 60 anos têm visto a demanda retornar após um ano quase ininterrupto de marasmo.

“Desde o início de maio o cenário vem mudando. O pessoal está mais confiante para adquirir os pacotes. As coisas estão melhorando depois de meses e meses sem faturar, muito em função da vacinação, já que nosso público-alvo tem, em média, entre 60 e 75 anos”, afirma Rodrigo Pastore, da Pastore Turismo.

Ele cita como exemplo um pacote para o Natal Luz de Gramado (RS). A agência vendeu 10% das vagas disponíveis no dia em que o roteiro foi colocado para comercialização.

Antes da pandemia, a agência, que tem 30 anos (13 deles focados no público mais velho) organizava entre quatro e cinco viagens internacionais e entre 15 e 20 domésticas por ano, sempre em grupos, de cerca de 40 pessoas.

“A retomada é tímida, mas a gente já pensava que com a vacina ela viria. É algo que só tende a melhorar. É diferente do fim do ano passado [quando houve melhora nos números da pandemia], porque na época não tinha vacina.”

Adriana Monteiro, dona da Via Régia, vê um cenário parecido. “No ano passado até parei de vender. Agora com os idosos já vacinados que estamos retomando.” No mês passado, a Via Régia mandou um grupo de 12 pessoas, já imunizadas, para Cancún, no México, um dos únicos países que aceitam voos vindos do Brasil.

A empresária espera que a demanda continue retornando no segundo semestre e no início do ano que vem. A Via Régia opera há 14 anos, 8 dos quais com foco nos viajantes da terceira idade.

“Estamos vendendo pacotes para destinos nacionais, mas o que a gente mais atendia eram grupos que iam para fora. Eles estão desesperados. Tem uns que me ligam semanalmente”, conta.

A aposentada Neide Carelli, 80, já vacinada, é uma das que sente saudades de viajar em grupo. Em julho, deve ir para Minas Gerais. É o seu primeiro roteiro desde o início da crise sanitária.
“Antes da pandemia eu viajava cinco ou seis vezes por ano. Uma para o exterior e as outras pelo Brasil. Estou bastante ansiosa”, conta ela.

Neide também tem viagem em grupo marcada para Suíça e Itália. O passeio aconteceria em setembro de 2020, mas foi adiado para outubro deste ano. “Estou torcendo para dar certo”, afirma.

Ronaldo Donato, sócio-diretor da Donato Turismo, também vê o ritmo voltar em sua agência. “Começamos a ter fechamentos neste mês. A vontade eles já têm, e agora estão ficando mais confiantes para de fato ir viajar.”

A empresa abriu pacotes, em grupo, para os Lençóis Maranhenses, as cidades históricas de Minas e para o Pantanal. As saídas devem acontecer no segundo semestre.

Pré-pandemia, a Donato, que tem 25 anos, 8 deles com foco nos mais velhos, fazia cerca de 12 viagens por ano, a maioria para o exterior.

O que se vê de maneira incipiente no Brasil já acontece em países onde a vacinação está mais avançada, como nos EUA, onde, na terça (1º), 74,8% da população de 65 anos ou mais já havia tomado as duas doses da vacina, de acordo com o CDC (Centers for Disease Control and Prevention).

A retomada por lá se deu no início do ano. De acordo com reportagem do New York Times, em janeiro e fevereiro, hóspedes com mais de 60 anos já respondiam por mais da metade dos clientes de hotéis no Havaí e na Carolina do Norte, parte deles chegando por meio de tarifas promocionais para membros da AARP (organização que faz lobby pelo interesse dos mais velhos).

A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, afirma que é importante que o público da terceira idade, ainda que vacinado, mantenha toda a precaução contra a Covid-19 nas viagens.

Ainda há risco. Está longe de ser zero. Quanto maior a idade, menor a resposta imunológica do corpo, então tem que manter os cuidados, como se não fosse imunizado.”

Ela defende, ainda, que grupos de viagens sejam testados antes dos passeios. “O risco de ter a doença em sua forma grave diminui muito com a vacina, mas o de ter a infecção nem tanto, e como não sabemos se vacinados transmitem, é preciso seguir de máscara.”

Fonte: Folha de S.Paulo

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