San Francisco, a moderninha, também te leva de volta aos anos 60

Alheia ao Vale do Silício, existe uma San Francisco de restaurantes autênticos e festas à la anos 60

Por Luara Calvi Anic

access_time 25 abr 2017, 12h13 – Publicado em 6 mar 2017, 11h30

San Francisco é daquelas cidades em que você morre de inveja da qualidade de vida alheia. A comida, que na maioria das vezes vem de algum lugar não muito longe, é sempre fresca. Há transporte público de qualidade, ciclovias (mesmo com aquelas ladeiras surreais), parques urbanos, maconha medicinal liberada e abertura para a comunidade gay – coisas que não caíram do céu, mas que deveriam ser básicas e que dizem muito sobre a postura de um lugar.

Assim que cheguei, uma amiga que mora ali há 20 anos me levou até um restaurante que cultiva as próprias ostras, o Hog Island Oyesters Co.. Elas são servidas in natura ou grelhadas com um molho à base de manteiga, bourbon e pimentão. A cozinha fica em uma casa de madeira e funciona mediante reserva, e os clientes se acomodam em mesas de piquenique de frente para a Baía de Tomales, a uma hora da cidade. Lugares como esse, com atendimento ao ar livre e clima rústico, definem San Francisco.

Uma festa que há 22 anos anima a cidade, a Sunset Sound System, segue essa onda. Desde 1994, o DJ Solar, filho de hippies, organiza celebrações em parques e praias. Em frente à mesa de som, há um altar com fotos de amigos que comungam dos mesmos ideais alguns vivos, outros já habitando outra dimensão. Ali, as pessoas levam suas cervejas, estendem tapetes no gramado e aproveitam o dia.

Contrastando com esse espírito, em San Francisco bebidas alcoólicas só podem ser consumidas até as 3 da madrugada. Eu estava em uma balada quando, pouco antes do dito horário, o barman surgiu com um balde onde ele despejava a bebida de todos nem o DJ escapou.

Durante o dia ou à noite, todos querem participar dessa festa, o que inclui também os “techies” do Vale do Silício, que ganham muito bem e fazem encarecer o custo de vida. Enquanto os hippies torcem o nariz para essa turma, a gente fica por aqui pensando em um jeito de também ser convidado para viver aquele vidão.

Confira nesse vídeo a alegria contagiante da festa:

Luara Calvi Anic Concierge Viagem e Turismo 252

 (Arquivo pessoal/)

 

Luara Calvi Anic é editora da revista Elle e, enquanto não se muda para a Califórnia, às vezes acha qualidade de vida em São Paulo

Texto publicado na edição 252 da revista Viagem e Turismo (outubro/2016)

Fonte: Viagem e Turismo

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