Promotores de Massachusetts processam o ICE por prisões em tribunais

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Os agentes do ICE têm realizado prisões no interior e imediações dos prédios dos tribunais

Os profissionais alegam que não podem continuar certos casos porque as vítimas, testemunhas e réus têm medo de comparecer às audiências

Promotores públicos e defensores públicos em Massachusetts estão acionando judicialmente as autoridades federais por prender pessoas no interior e imediações dos prédios de tribunais por estarem indocumentados nos EUA. A ação apresentada contra, na segunda-feira (29), contra o Departamento de Imigração (ICE) alega que os profissionais não podem continuar certos casos porque as vítimas, testemunhas e réus têm medo de comparecer às audiências.

A promotora pública Distrital do Condado de Suffolk, Rachael Rollins, disse ter presenciado “casos criminais sérios contra indivíduos que cometeram atos violentos e hediondos serem suspensos” devido às prisões realizadas pelos agentes do ICE.

A ação judicial foi apresentada poucos dias depois que promotores públicos federais acusaram um juiz e um funcionário do tribunal por obstrução de justiça por supostamente terem ajudado um homem procurado pelas autoridades migratórias a escapar do prédio do tribunal.

. Injustiça:

Em outubro do ano passado, um pai de família na Califórnia foi detido por agentes do ICE depois de comparecer a uma audiência na tentativa de conseguir uma ordem de afastamento (Restraining order) contra o indivíduo que molestou a filha dele. Os agentes prenderam Marcos Villanueva em agosto, 2 dias depois que ele testemunhou no tribunal para defender a filha de 12 anos, conforme o advogado dele.

A menina acusou o tio de 51 anos de tê-la molestado, disse o advogado Willard Bakeman ao canal de TV KTLA. Um juiz cancelou o caso em julho devido à falta de evidências, publicou o O.C. Register.

Os parentes de Marcos suspeitam que o tio o tenha denunciado ao ICE em retaliação, acrescentou Bakeman. O pai, de 40 anos, não possuía antecedentes criminais.

“Este é o provavelmente o caso mais injusto que eu já vi”, comentou Bakeman ao canal de TV KTLA. Ele considerou a situação de Villanueva um exemplo de que o ICE está focalizando nas vítimas ao invés dos criminosos.

O advogado detalhou que a ordem de distância que a família de Villanueva buscava não foi concedida e que o homem que teria molestado a sobrinha vive à duas portas de distância da menina. Na ocasião, Willard informou que seu cliente poderá ser deportado a qualquer hora para Honduras, onde ele corre o risco de ser sequestrado e assassinado.

Segundo o ICE, um juiz de imigração emitiu uma ordem de deportação em nome de Villanueva em 2005. O advogado detalhou ao O.C. Register que o cliente dele não compareceu ao tribunal na ocasião porque o aviso não informava o horário ou local. Ele acrescentou ao jornal que o cliente dele tinha uma base “boa” para um pedido de asilo que não foi ouvido.

O ICE informou que qualquer pessoa que violar as leis migratórias está sujeita a ser deportada dos EUA. “Enquanto o ICE continua a focalizar seus recursos em indivíduos que representam ameaça à segurança nacional e pública, o órgão não isenta classes ou categorias de estrangeiros passíveis de remoção”, disse Lauren Mack, do Departamento de Relações Públicas.

Fonte: Brazilian Voice

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