Se ligue nos links (6 de maio)

1) O vazamento de 9 gigabytes de e-mails e documentos da campanha presidencial do candidato Emmanuel Macron (na foto), favorito a vencer as eleições francesas de amanhã, tumultuou as redes sociais na noite de ontem. De acordo com a Reuters, os arquivos digitais foram furtados há várias semanas. O En Marche!, partido de Macron, emitiu um comunicado alertando que a maioria das informações diulgadas nas redes mistura documentos verdadeiros e falsos, noticiou o Monde. A lei francesa impede a divulgação de quaisquer conteúdos relacionados à eleição até o fechamento da surnas, às oito da noite de domingo, como explica o Libération. As penas e multas são duras e valem mesmo para um simples tuíte – por isso mesmo, o impacto eleitoral de qualquer descoberta noticiosa nos arquivos deverá ser reduzido.
2) A França não está pronta para Macron. Assim James Traub define, na Foreign Policy, os dilemas que o esperam se vencer amanhã a eleição. No Guardian, Olivier Tonneau duvida que a vitória dele esteja garantida. No Project Syndicate, Hugo Dronchon relata por que a disputa entre Macron e Marine Le Pen (votando na foto) representa a derrocada da elite política francesa. No Vox, Sheri Berman explica que a eventual derrota de Marine para Macron não representará o fim do projeto político dela, que continuará presente no futuro da política francesa e europeia.
3) No FiveThirtyEight, Nate Silver afirma que a democrata Hillary Clinton perdeu as eleições americanas para Donald Trump provavelmente por causa da carta do diretor do FBI, James Comey (foto), anunciando às vésperas da eleição que poderia ter de reabrir as investigações sobre seus e-mails. Em reportagem, o New York Times narra os detalhes da decisão de Comey. Na New Yorker, John Cassidy diz que suas explicações para a interferência na campanha não são convincentes.
4) No Vox, Sarah Kliff esmiúça as mudanças na saúde trazidas pelo Trumpcare, aprovado pela Câmara nesta semana. Também no Vox, Dylan Scott analisa os obstáculos que o texto deverá enfrentar no Senado. Andrew Prokop, ainda no Vox, afirma que o Trumpcare será um problema para Trump mesmo que o Senado o aprove.
5) O vice-presidente do libertário Niskanen Center criticou em artigo para o Vox a visão conspiratória dos partidários de Trump que veem o mundo sob o prisma do choque de civilizações entre Ocidente e Islã. Na New York, Andrew Sullivan leva a sério o movimento reacionário e racista que apoiou Trump. Seu artigo foi criticado por Rod Dreher na American Conservative e por Henry Farrell no blog Crooked Timber. Na New Yorker, Evan Osnos investiga duas formas como Trump poderia ser constitucionalmente obrigado a deixar o cargo antes do fim do mandato.
6) Os horrores de Aleppo, atingida por todos os lados na Guerra da Síria, são narrados por Charles Glass em reportagem na New York Review of Books. Também na New York Review of Books, Christopher de Bellaigue analisa as consequências da provável vitória do atual presidente Hassan Rouhani nas eleições iranianas do próximo dia 19.
7) Na Foreign Policy, Ruchi Kumar apresenta Atta Mohammad Noor, o governador da província de Baghlan, no Afeganistão, antenado em tecnologias como o Segway e o Facebook – que desponta como candidato à Presidência.
8) Um perfil devastador do presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, conhecido por adotar a pena de morte sem julgamento para o tráfico de drogas, foi publicado no ano passado por Adrian Chen na New Yorker.
9) Para quem ainda tem dúvidas sobre a proposta do governo para a reforma da Previdência, o Ministério da Fazenda preparou um guia desmentindo os principais mitos (sim, há déficit; e não, não adianta apenas cobrar os devedores para cobrir o buraco). Em apresentação no site da Fundação Getúlio Vargas, o economista Paulo Tafner analisa os principais dilemas da Previdência no Brasil.
10) Um estudo do National Bureau of Economic Research disseca a logística da Amazon e mostra que, para montar um novo centro de distribuição (foto), a empresa precisa encontrar o equilíbrio entre os impostos cobrados localmente dos consumidores e custo de transportar as mercadorias por longas distâncias. Desde 2006, conclui o estudo, a Amazon reduziu seus custos de entrega pela metade e aumentou a lucratividade entre 5% e 14%.
11) Um novo talher feito com batatas-fritas e usado para recolher o molho que escorre do hambúrguer é a novidade do McDonald’s em alguns restaurantes nos Estados Unidos, noticiou a NBC.
12) Na Los Angeles Review of Books, Colin Dickey resenha um livro que narra a trágica história do massacre de animais de estimação como gatos e cachorros no Reino Unido, durante a Segunda Guerra Mundial.
13) No FiveThirtyEight, Christie Aschwanden explica por que o ideal para corpo é especializar-se não na maratona, mas sim na corrida de cinco quilômetros. Na New Yorker, Kelefa Sanneh apresenta a rivalidade nos ringues de boxe entre o britânico Tyson Fury e o ucraniano Wladimir Klitschko.
14) Também na New Yorker, Jonathan Blitzer chama a atenção para o Twitter do escritor Rabih Alameddine, especializado em obras de arte. No Literary Hub, Megan Walsh narra o caso fascinante dos operários chineses que compõem poemas em seus telefones celulares.
15) O escritor Robert Caro é conhecido como biógrafo do urbanista Robert Moses e pela monumental biografia do presidente americano Lyndon Johnson (na foto, ao prestar juramenteo após o assassinato de John Kennedy) a que se dedica desde 1976 – ele lançou até agora quatro volumes e trabalha no quinto e último. Em entrevista à Paris Review, ele explica seu método de trabalho: “Os primeiros três passos são livros, jornais, revistas e documentos. Então vêm as entrevistas. Você tenta descobrir todo mundo que está vivo que lidou com Johnson de alguma forma no período. Alguns você entrevista várias vezes. O autor dos discursos, Horace Busby, entevistei 22 vezes. As entrevistas formais. Houve também várias conversas informais ao telefone. (…) Mas nada disso basta. Você precisa se perguntar, está fazendo leitor enxergar a cena? E isso significa, você está enxergando a cena? Em muitos livros, o autor só parece se preocupar com os fatos. Mas os fatos não bastam”.

Fonte: G1