Presidente catalão tenta resolver crise com ‘independência a prazo’

Cautela. Decisão do presidente catalão, Carles Puigdemont, de suspender independência dividiu opiniões Foto: Manu Fernandez / APRIO, BARCELONA e MADRI — Após uma semana de expectativa depois de um referendo no qual 2.286.217 eleitores (o equivalente a 43,03% do eleitorado local) foram às urnas — apesar da forte presença policial destacada para impedir a realização da consulta — e 92,01% deles aprovaram a independência da Catalunha, o presidente regional, Carles Puigdemont, finalmente fez seu pronunciamento no Parlamento catalão. Ele anunciou a independência da região, porém a declarou suspensa 56 segundos mais tarde, para permitir que se realize um diálogo em busca de uma solução. A medida desagradou tanto ao governo central em Madri como aos setores mais radicais do independentismo, que não enxergam no diálogo com Madri um caminho viável para a secessão. Enquanto nas ruas da região manifestantes não escondiam sua frustração com as palavras de Puigdemont, em Madri o governo espanhol convocou para esta quarta-feira uma reunião do Conselho de Ministros, iniciando os preparativos para uma possível aplicação do Artigo 155 da Constituição, que suspenderia a autonomia regional.
— Chegamos a este momento histórico e, como presidente do governo catalão, assumo, ao apresentar os resultados do referendo diante do Parlamento e de nossos cidadãos, a vontade do povo de que a Catalunha se converta em um Estado independente em forma de república — afirmou Puigdemont em seu discurso, acompanhado de perto por mil jornalistas de mais de 300 veículos de comunicação de todo o mundo.

Fonte: Extra Online