Hora de ler Stuart Mill

Os protestos contra as obras consideradas obscenas em Porto Alegre opuseram duas agendas políticas antagônicas: militantes conservadores tentando estabelecer um limite para a arte e impôr restrições à exibição e militantes “politicamente corretos” aplaudindo o recurso desgastado de “épater le bourgeois” (chocar o burguês). Que limite pode ou deve ser imposto a uma atividade cujo objetivo é, por definição, transgredir e romper limites? Hora de ler um dos maiores clássicos do liberalismo: Sobre a liberdade, do filósofo inglês John Stuart Mill. Impossível repetir tudo o que ele tem a dizer sobre o assunto. Em minha coluna desta semana na revista Época (que entrará no ar ao longo da manhã deste domingo), tento analisar o que ele diria sobre quatro pontos que despertaram controvérsia: crianças, obscenidade, papel do Estado e blasfêmia. Mill é, acima de tudo, um exemplo de serenidade, inteligência e bom senso. Um incentivo à reflexão nestes tempos em que, amplificados pelas redes sociais, muitos xingam, gritam e agridem sem pensar. Lê-lo é essencial para entender por que a discordância está na alma da liberdade. Mas não o ataque ou a agressão. Seu recado é simples: ouça o que todos têm a dizer – e pense antes de falar.

Fonte: G1