Eleições nos EUA: virada na Geórgia dá controle do Senado aos democratas e consolida poder de Biden para governar

Candidatos democratas ao Senado na Geórgia Jon Ossoff and Rev. Raphael Warnock

Os democratas Raphael Warnock e Jon Ossoff venceram as eleições para o Senado na Geórgia realizadas esta semana, segundo resultados anunciados nesta quarta-feira (6/1), e consolidaram o controle do partido do presidente eleito Joe Biden no Congresso americano.

É a primeira vez que os Democratas assumem o controle das duas casas desde 2009.

As vitórias de Warnock e Ossoff sobre seus rivais, os republicanos Kelly Loeffler e David Perdue, foram ambas por margens muito apertadas.

Warnock derrotou a senadora Kelly Loeffler por projeções de 50,6% a 49,4%, indicam números da agência de notícias Associated Press.

A outra disputa foi ainda mais disputada. Jon Ossoff, de 33 anos, ficou à frente do senador David Perdue, 70, por cerca de 12 mil votos, mostram as projeções.

As duas vagas democratas no Senado fazem com que ambos os partidos tenham exatamente o mesmo número de vagas na Casa. Com isso, votações empatadas serão decididas pela vice-presidente Kamala Harris, do Partido Democrata. Na prática, Biden ganha a maioria no Senado.

O controle do Senado é crucial para a capacidade de governar de um presidente nos EUA. Todos os secretários (equivalente aos ministros brasileiros), por exemplo, precisam ser aprovados pelos senadores para serem empossados.

Além disso, sem a chancela dos senadores não seriam colocadas em prática propostas caras aos democratas, como a reforma imigratória, o plano de combate ao aquecimento global, a expansão do serviço público de saúde, conhecido como Obamacare, e a aprovação de um novo pacote de auxílio emergencial.

A eleição desta semana na Geórgia foi o segundo turno do pleito realizado em novembro do mês passado. Esse segundo turno é necessário quando candidatos não alcançam a maioria (50% mais um) dos votos em uma disputa.

No pleito de novembro, o republicano David Perdue ficou muito perto de conquistar a vaga, tendo atingido 49,7% dos votos.

Na outra disputa, que envolveu um número maior de candidatos, o democrata Warnock recebeu 32,9% dos votos, contra 25,9% da republicana Loeffler.

Um democrata não vencia uma disputa pelo Senado na Geórgia há 20 anos, mas o partido foi impulsionado pela vitória de Biden nas eleições presidenciais sobre Trump. A margem de vitória de Biden sobre Trump foi de cerca de 12 mil votos em um universo de cinco milhões de votos.

Warnock será o primeiro senador negro dos EUA pela Geórgia e Ossoff, de 33 anos, será o membro mais jovem do Senado desde Biden em 1973. Warnock é o reverendo da igreja de Atlanta, onde o líder dos direitos civis assassinado Martin Luther King Jr cresceu e fez carreira.

A Geórgia também foi palco de uma das tentativas de Trump de reverter os resultados da eleição presidencial de novembro, na qual saiu derrotado.

Legenda da foto,

Warnock será o primeiro senador negro da história da Geórgia

No domingo, o jornal Washington Post revelou uma gravação em que Trump pede à principal autoridade eleitoral da Geórgia para “encontrar” votos suficientes para anular o resultado das eleições americanas.

“Eu só quero encontrar 11.780 votos”, disse Trump ao secretário de Estado da Geórgia, o republicano Brad Raffensperger. O número é a margem pela qual Trump foi derrotado por Biden na eleição. Na ligação, é possível ouvir Raffensperger respondendo que os resultados da Geórgia estavam corretos.

A Geórgia acabou virando um palco de discórdia entre Trump e outros republicanos.

O presidente americano tem acusado sistematicamente o governador do Estado, seu correligionário Brian Kemp, de acobertar supostas fraudes que o levaram à derrota. Na última semana, chegou a pedir que Kemp renunciasse. Tudo isso aumentou o grau de incerteza sobre uma disputa já acirrada, na qual os republicanos eram favoritos.

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Fonte: BBC

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