Dossiê Ilha da Madeira: um novo (e genial!) hub para nômades digitais

Jovem a trabalhar no computador ao ar livre, no jardim da Digital Nomads, na Ponta do Sol, acompanhado de seu cachorro
Um dos cantinhos do espaço da Digital Nomads: hipsters, uni-vos! Bruno Barata/Reprodução

Desde fevereiro, a Ilha da Madeira tem recebido um novo tipo de turismo, bem diferente daquele que costuma desembarcar em hordas dos navios de cruzeiro ou vindo diretamente do Norte da Europa para banhos de sol. São pessoas que têm em média 30 e poucos anos (mas também 20 ou mais de 60), vindas de diferentes cantos do mundo, bem sucedidas e com uma característica em comum: a possibilidade de trabalhar à distância. São os nômades digitais. 

O espaço do co-working da Digital Nomads, na Ilha da Madeira, com pessoas trabalhando na varanda
O espaço: moderninho, a dois minutos do mar e da floresta Bruno Barata/Reprodução

Inaugurada apenas três meses depois de idealizada, em parceria entre o governo e a iniciativa privada, a Digital Nomads Madeira provocou uma verdadeira revolução num pedacinho da ilha (a Ponta do Sol, onde se instalou) e se transformou num case de sucesso mundial imediato. No final de maio, já somava 1.000 frequentadores – e acumulava um impacto econômico local de 1,5 milhão de euros por mês, muitíssimo bem-vindos especialmente em tempos de pandemia e lockdown.

Jovens no espaço ao ar livre da espaço de co-working da Digital Nomads na Ilha da Madeira, com o idealizador do projeto ao centro
Gonçalo Hall, idealizador do projeto: sempre de chinelos, bermuda e um sorrisão no rosto Bruno Barata/Reprodução

“O grande segredo aqui é que nos estruturamos em comunidade”, diz o consultor Gonçalo Hall, idealizador do projeto. “Tem aulas de yoga, de crossfit, as pessoas se juntam para fazer passeios, organizamos workshops gratuitos de temas variados. E no meio do dia podemos dar um mergulho ou fazer uma caminhada na floresta, tudo aqui ao lado!”

Vista aérea da vila de Ponta do Sol, na Ilha da Madeira, com suas casinhas coloridas à beira-mar
A linda vila de Ponta do Sol, onde fica o primeiro espaço da Digital Nomads Bruno Barata/Reprodução

“Desde o primeiro dia me senti acolhido pela comunidade. Rola toda uma articulação de pessoas se ajudando e agregando conhecimento ou experiências ao grupo. Pessoas oferecendo carona, hospedagem, workshops, consultoria, empregos. O que foi construído aqui vai muito além de apenas uma vila nômade, é o tipo de comunidade que estimula a troca e a integração”, diz o brasileiro João Vicente Costa Velho de Abreu, designer gráfico de 33 anos que mora em Lisboa e trabalha virtualmente para uma empresa dos Estados Unidos. 

O designer brasileiro João Vicente em frente a uma cachoeira numa trila pela Ilha da Madeira
O designer brasileiro João Vicente em uma caminhada pelas levadas da Madeira: ia ficar três semanas, ficou sete! Arquivo pessoala/Arquivo pessoal

João pretendia ficar três semanas e acabou ficando sete, numa casa dividida com gregos, ucranianos e tchecos. “Já tenho agregado muitos conhecimentos que adquiri aqui na minha vida: sobre investimentos, domínio de novas ferramentas que uso na minha profissão e agora estou implementando na minha empresa, livros, aula de bateria… é muito inspirador!”

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  • Mulher trabalha no computador em uma mesa no jardim do espaço de co-working da Digital Nomads, na Ilha da Madeira
    Mais um canto da Digital Nomads: espaços alternativos para trabalhar ao ar livre Bruno Barata/Reprodução

    A Digital Nomads Madeira funciona como uma base para proporcionar uma estrutura de trabalho com qualidade, se aproveitando de um entorno atraente. É uma estrutura concebida para atrair pessoas a irem viver na ilha. Para fazer parte do projeto, basta se inscrever online aqui (segundo Gonçalo, já há mais de 700 inscrições do Brasil, só esperando as fronteiras abrirem). Frequentar o espaço – de frente para o mar, com mesas, lounges e uma super internet – é completamente de graça. 

    Vista aérea do espaço de co-working da Digital Nomads, com construções de vidro e jovens a conversar do lado de fora
    O espaço de co-working visto do alto: atividades paralelas e vida em comunidade Bruno Barata/Reprodução

    A vila nômade construiu um pool de hospedagens, negociou tarifas especiais com os proprietários e ajuda os nômades a conseguirem um espaço para morar – de repúblicas em casas grandes, onde um quarto pode custar menos € 300 por mês, a apartamentos privados (cerca de € 1.200) e quartos de hotel (que podem chegar a € 3.000 ou € 4.000). A gestão é feita por eles e todos os gastos (água, luz e internet) estão incluídos.

    A beira-mar na vila de Ponta do Sol, com uma construção amarela sobre a falésia e pedras no mar, de cor verde esmeralda
    A beira-mar da Ponta do Sol: bons mergulhos nos intervalos Bruno Barata/Reprodução

    Gonçalo estima que vive-se bem com uma média de € 1.500 por mês, suficientes para hospedagem, alimentação, passeios e deslocações pela ilha. E fala sobre o impacto positivo desta movimentação para a comunidade local: “são viajantes que não estão de passagem, eles chegam para ficar dois meses, em média, e gastam entre € 30 e € 40 por dia, pelo menos, nos negócios locais”, diz ele. 

    Restaurante com mesas ao ar livre debaixo de um guarda-sol vermelho
    Fachada do restaurante Steak & Sun, na Ponta do Sol: cheio todos os dias, mesmo em plena pandemia Bruno Barata/Reprodução

    Maria José, dona dos restaurantes Old Pharmacy e Steak & Sun, nos arredores da vila nômade, não podia estar mais animada. Ela saiu de um cenário onde as casas estavam às moscas, por causa da pandemia, para estarem lotadas todos os dias. E já está fazendo adaptações nos menus por causa dos novos clientes, incluindo opções vegetarianas e veganas. “Estou fascinada com este projeto”, diz ela. “Estas pessoas trouxeram nova vida. Elas desafiam-nos todos os dias, é uma troca constante e maravilhosa!”

    Risoto vegetariano de legumes em um prato azul sobre uma mesa de madeira
    Um dos novos pratos vegetarianos do Steak & Sun: novidade que surgiu pela demanda dos estrangeiros na vila Bruno Barata/Reprodução

    O projeto deu tão certo que já está se espalhando pela ilha. Até outubro serão cinco novos hubs – além da Ponta do Sol, haverá unidades no Funchal, no Machico, em Santana, em Santa Cruz e até na ilha vizinha de Porto Santo. A convivência e a troca de experiências entre os viajantes já está gerando frutos. Já nasceram duas empresas e uma ONG na área de educação ambiental nos corredores da primeira unidade da Nomad Village. 

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    Fonte: Viagem e Turismo

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