Em dezembro de 2011, a advogada Izabella Mello, 32 anos, arrumou as malas e embarcou em um intercâmbio em família. Levou com ela o marido, o administrador de empresas José Ricardo Mello, 31 anos, e a sobrinha, Márcia Marcela Mello, 15 anos, rumo aos Estados Unidos. “Nós não temos filhos, por isso decidimos viajar com a nossa sobrinha para aperfeiçoar o idioma e ter uma experiência cultural. Foi muito legal aprender a conviver com uma adolescente em sua primeira viagem internacional”, diz. 

Durante uma semana, a família conheceu a Disney e, logo após, seguiu para San Diego, cidade escolhida por ter um clima ameno no inverno. Lá, moraram em um apartamento privativo, dentro de uma residência estudantil, e estudaram três meses na mesma escola, a Converse International School Of Language.

As aulas de inglês eram no período da manhã, em turmas diferentes. À tarde, enquanto José Ricardo cursava business, Izabella e Márcia aproveitavam o tempo livre para passear, ir a museus, outlets e à praia. Nos fins de semana conheceram Las Vegas, Los Angeles, esquiaram em Big Bear e percorreram a rota Highway 1, de San Francisco a San Diego.

Nos últimos anos, o intercâmbio em família tem sido um dos programas mais procurados nas férias de janeiro e julho. De acordo com Marcia Mattos, gerente de cursos do STB, houve um crescimento de 80% desde 2010. O cenário também é animador para Flávio Crusoé, diretor geral da Bex, que registrou um aumento de 50% em relação a 2011.

O programa é voltado para pais que desejam compartilhar novas experiências com os filhos e, ao mesmo tempo, se divertir, aperfeiçoar o idioma ou fazer um curso de especialização para melhorar o currículo. Porém, assim como Izabella e José Ricardo viajaram com a sobrinha, nada impede que outras pessoas da família acompanhem crianças a partir de 8 anos ou adolescentes. “Não são só os pais que podem viajar com filhos. É comum avós viajarem com os netos, tios com sobrinhos e assim por diante”, afirma Marcia Mattos.

Os cursos têm duração de duas a quatro semanas, em média, com atividades personalizadas para cada faixa etária. Caso a família pretenda prolongar os estudos acima de seis semanas, o único problema será encontrar uma escola que receba a criança. “Como são programas de férias, a maioria das escolas não aceita menores 16 anos fora da alta temporada”, explica Gabriel Canellas, gerente de intercâmbio em família da CI.

Ana Carolina (à esq.) e Edna (à dir.) na escola Kaplan de Los Angeles, nos Estados Unidos Ana Carolina (à esq.) e Edna (à dir.) na escola Kaplan de Los Angeles, nos Estados Unidos

Ana Carolina (à esq.) e Edna (à dir.) na escola Kaplan de Los Angeles, nos Estados Unidos (/)

Ana Carolina (à esq.) e Edna (à dir.) na escola Kaplan de Los Angeles, nos Estados Unidos – Foto: Arquivo Pessoal

A empresária Edna da Silva Santos, 43 anos, também decidiu aderir ao programa. Ela e a filha, Ana Carolina da Silva Santos, 18 anos, estão em Los Angeles, onde ficarão por três semanas. “Se podemos viajar juntas de férias, por que não fazer um intercâmbio? Unimos o útil ao agradável”, conta Edna.

A jovem Ana Carolina está em seu terceiro curso no exterior: já estudou inglês em Eastbourne, na Inglaterra, e Vancouver, no Canadá. Agora, pela primeira vez, tem a companhia de sua mãe. “Como já tive duas experiências, posso falar que fazer intercâmbio com a mãe é totalmente diferente. Acho legal que ela tenha vindo comigo para poder vivenciar o que ela já me proporcionou”, explica.  

No primeiro dia de aula na Kaplan, ambas fizeram um teste de nível para saber em qual turma ficariam. Para Edna, a adaptação foi tranquila. “Pela minha idade achei que encontraria dificuldade de entrosamento, mas isso não ocorreu. O professor é superatencioso e carinhoso com as pessoas”, conta.

PERMITIDO PARA MAIORES

Não são somente as crianças e adolescentes acompanhados por adultos que podem ingressar no programa. Dependendo da agência, os crescidinhos também encontram opções de pacotes na medida certa para se aventurar em um intercâmbio em família. É o caso da psicóloga Marlene Alves de Araújo, 59 anos, que viajou pela primeira vez com a filha, Flávia Regina de Araújo Lino, 34 anos, para o Canadá, em 2008. “Decidimos aliar as férias do trabalho da minha filha para aperfeiçoar o inglês e conhecer culturas diferentes”, diz Marlene.

Marlene (à esq.) e Flavia (à dir.) na Alhambra, em Granada, Espanha Marlene (à esq.) e Flavia (à dir.) na Alhambra, em Granada, Espanha

Marlene (à esq.) e Flavia (à dir.) na Alhambra, em Granada, Espanha (/)

Marlene (à esq.) e Flávia (à dir.) em Alhambra, na cidade de Granada, Espanha – Foto: Arquivo Pessoal

Antes de chegar a Vancouver, onde estudaram durante um mês na escola PLI, elas conheceram Toronto, a maior cidade do país, encararam as pistas de esqui em Whistler e passearam por Victoria. “Foi uma experiência muito gratificante, porque você acaba conhecendo pessoas de diversas culturas, conta Marlene”. “Na minha sala de aula tinha chineses, turcos e pessoas de outras nacionalidades com sotaques diferentes”, explica.

Como a maioria que decide estudar no exterior, mãe e filha preferiram se hospedar em uma casa de família, onde puderam conhecer os hábitos e costumes do povo local. “Tivemos sorte, porque moramos com uma senhora que nos deixou à vontade e a escola ficava próxima da residência”, afirma.

A experiência foi tão boa que, em janeiro de 2011, elas decidiram viajar juntas novamente, desta vez para a Espanha. “Nós escolhemos Alicante para estudar um mês porque temos amigos que moram lá”, diz Flávia.

Depois do curso, elas passeavam sozinhas ou com os alunos da escola. “Também ficamos amigas de alguns espanhóis que encontramos no caminho de Santiago de Compostela”.  Nos finais de semana fizeram um tour por Granada, Benidorm, Madri e esticaram a viagem até a Suíça. “O bom de viajar com a minha mãe é compartilhar experiências”.

DICAS DE EXPERTS

Decidiu estudar no exterior com a família, mas não sabe por onde começar? Na hora de procurar uma agência, os especialistas aconselham que o interessado tenha em mente o país que pretende visitar, as preferências em relação ao clima, o tempo disponível e o dinheiro para investir.  

Para Flávio Crusoé, diretor geral da Bex, o Canadá tem sido o país número 1 para intercâmbio. Vários fatores contribuem para a alta procura: o câmbio favorável, a facilidade do visto e o custo de vida mais baixo. “Vancouver é mais procurada devido ao clima. O inverno é menos rigoroso do que em outras regiões. Em seguida vem Toronto, que é a maior cidade e tem voos diretos do Brasil”, explica.

Os Estados Unidos estão em segundo na lista dos brasileiros. Quem viaja com crianças prefere as cidades da Califórnia ou da Flórida. “As pessoas querem aproveitar essa experiência para fazer atividades de lazer”, conta Marcia Mattos, do STB.  

As opções mais comuns de acomodações são casa de família, residência estudantil e apartamento privativo. A escolha depende de quantas pessoas vão embarcar. “Alugar um apartamento é vantajoso para famílias grandes”, afirma Flávio.

Antes de fechar o pacote, faça uma ampla pesquisa para ajudá-lo a traçar seus objetivos e, em última instância, evitar possíveis frustrações durante a viagem. Vale consultar amigos e conhecidos que já vivenciaram um intercâmbio, além de pesquisar em sites, vasculhar blogs e demais ferramentas disponíves. O mais importante, contudo, é procurar por agências afiliadas a entidades reconhecidas pelo mercado, tais como: Belta, Abav, Braztoa, Alto, Embratur, ISTC e WYSETC.

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Fonte: Viagem e Turismo

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