Violência no Rio tem sido enfrentada na base do remendo, escreve sociólogo

13/10/201706h00RESUMO Autor argumenta que a insegurança no Rio deve ser analisada por dois ângulos. De um lado, a crise econômica e a dinâmica própria da capital fluminense ajudam a entender o aumento da violência. De outro, o arranjo institucional das polícias e do sistema judicial explicam a baixa efetividade do combate ao crime.
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As semanas passadas nos trouxeram à memória cenas com as quais não estávamos mais habituados. O poder público atônito e a assistiram a conflitos entre facções criminosas transbordando nos bairros de classe média e alta do Rio de Janeiro, numa ilustração do que é o cotidiano de muitas da cidade.
O surto de violência serviu para nos lembrar de que a crise política e econômica tem diversas faces sociais —e que estas, embora também sejam dramáticas, infelizmente não recebem a mesma atenção. A pauta monotemática dos últimos anos só tem sido quebrada quando somos surpreendidos por presídios rebelados, chacinas, ações do crime organizado, embates nas fronteiras etc.
A população brasileira convive com o , e os eventos recentes no Rio resumem nossos dilemas.
A capital fluminense, segundo dados do ISP – Instituto de Segurança Pública, conheceu redução gradativa e notável na sua taxa de homicídios: do pico de 1994, quando se contavam 74 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes, passou-se a 18,5/100 mil em 2015.

Fonte: Folha de S.Paulo