Sicília, famosa pela dieta mediterrânea, tem mercados de 1,2 mil anos

Se a Sicília nunca tivesse existido, como seria a Itália? Menos colorida, certamente. Menos vulcânica e, por isso, menos fértil. O país também não seria tão belo sem as salinas sicilianas, que estão entre as mais importantes da Europa. A Itália seria muito, muito menos saborosa. A verdade é que também seria menos saudável, porque se houve um laboratório para aquela que é considerada a melhor dieta do mundo, ele se chama Sicília.
Com os seus centenários que desafiam as estatísticas internacionais, vivendo muito e com uma comida simples e barata, a Sicília está descobrindo os novos caminhos da dieta mediterrânea. Seus cientistas sustentam que a longevidade humana é determinada mais pela alimentação e estilo de vida do que pela influência genética.
saiba maisEquipe do Globo Repórter testemunha explosão de vulcão na SicíliaAlcaparra, vinho dos vulcões, azeite de oliva: sabores da dieta mediterrâneaItalianos redescobrem antigo grão de trigo, que produz pão mais saudávelRuínas de cidade que abrigou 200 mil pessoas são mistério em AgrigentoPasta de amêndoa: o segredo de um doce que enlouquece os italianos
Os gregos já intuíam alguma coisa quando chegaram a Agrigento, quase 600 anos antes de Cristo, trazendo o trigo e o alimento que une os países mediterrâneos e que salva vidas: o azeite de oliva. No local construíram cidades, abrindo as portas para outros invasores.
Os mercados históricos de Palermo são uma espécie de museu porque contam a história de uma cidade que recebeu muitas influências. Muitos povos passaram pela região. As primeiras barracas numa feira foram erguidas no século dez.
Hoje a cantoria continua, como se os árabes ainda vivessem naquelas ruas. Eles vieram com as frutas cítricas, e ajudaram a perfumar, ainda mais, a maior ilha mediterrânea.
Bonetta dell’Oglio, cozinheira e ativista da alimentação, luta com garra para defender os produtos da sua terra. Ainda que o tomate tenha vindo das Américas, virou local.
Um lugar que se renova e mantém tradições. Desde a Idade Média, o mercado de Ballaró é uma referência para os peixes do sul do Mediterrâneo. 
A maior especialidade da siciliana Bonetta é valorizar os produtos mais simples da terra e reaproveitar alimentos que estavam esquecidos.
Graças a ela e a outros chefs, a cozinha de antigamente renasceu com vigor naquela sedutora região da Itália.
Ela reaproveita o pão amanhecido, aprimorando uma culinária única, feita de peixe, massas e de um pão muito especial, de farinha de tumminía. Ele representa uma síntese das delícias da Sicília.
Peixe com creme de abobrinha e pão de tumminía, tomates e aspargos. Para ela, o tão falado orgulho siciliano se exprime assim, valorizando o mar e os campos da região.
“Tenho muito forte este espírito no coração. A minha cozinha é ligada com a terra”, diz Bonetta.

Fonte: G1