A Latam Airlines — holding que controla a Latam Brasil e tem sede no Chile — apresentou no fim de novembro um plano de reestruturação da sua dívida de US$ 18 bilhões. A companhia entrou no capítulo 11 – ou chapter 11 – em maio do ano passado, na justiça dos Estados Unidos.

Agora, aguarda a aprovação dos credores, mas está confiante. “O plano foi construído junto com mais de 70% dos credores e mais de 50% dos acionistas, então isso dá uma garantia de que ele vai ter apoio e vai ser aprovado, o que esperamos que aconteça nos próximos dois meses”, diz Jerome Cadier, presidente da aérea no Brasil, à CNN. “A Latam sairá mais forte e competitiva do chapter 11”.

O processo é muito parecido com o plano de recuperação judicial conhecido no Brasil: quando uma empresa endividada entra no chapter 11, ela ganha condições especiais para negociar suas dívidas com os credores. Trata-se de uma tentativa de recuperar a empresa para evitar que ela vá à falência.

Cardier também falou sobre as diversas manifestações públicas por parte da Azul em uma consolidação — o que não vê como provável, — e alertou para os custos pressionados no setor.

“A gente sempre viu com dificuldade qualquer mudança na composição do grupo durante o chapter 11, que já é um processo complicado, e no meio disso colocar uma consolidação, como entendo que é a intenção da azul”, diz. “Negociar com órgãos reguladores é praticamente inexequível no meio desse processo. (Além disso), a meu ver, o movimento da Azul muito mais defensivo do que um movimento crível de consolidação num curto prazo”.

Cadier cita que o setor aéreo vive um momento de pressão “muito grande” de custos, o que deve influenciar no preço das tarifas no curto prazo.

“Cerca de 60% das despesas de uma companhia aérea estão atreladas ao câmbio, que começou a pandemia perto R$ 4,20 e já foi a R$ 5,60. Tem o custo dos combustíveis que é 30%, 35% do custo da companhia, e vem subindo nos últimos 20 meses numa alta de 90% em reais. Além do custo dos insumos, inclusive mão de obra que vêm aumentando muito”, diz.

“Então, há uma pressão inflacionária que deve fazer com que, ao longo dos próximos meses, a gente veja uma recuperação da tarifa, que, nos voos domésticos, já está em níveis parecidos com o que estava antes da pandemia, mas vai precisar se recuperar além disso em reais”, diz.

Cadier diz ainda que a companhia ainda muito longe de 100% da capacidade nos voos internacionais, no qual está mais perto dos 35%, 40%, sobretudo por conta da variante Ômicron, que tem feito com que muitos países aumentassem o controle nas fronteiras.

“Vamos colocar mais capacidade nos próximos meses, pois temos sentido alguma recuperação, mas recuperar os níveis de 2019 a gente só imagina que vá acontecer no final de 2023 ou em 2024”, diz. “Ainda tem um internacional bem lento pela frente”.

*Publicado por Ligia Tuon

Fonte: CNN Brasil