Alcaparra, vinho dos vulcões, azeite de oliva: sabores da dieta mediterrânea

Quem passa por aquelas ruas estreitas, acolhedoras, não imagina quantos povos deixaram lá a sua história. Nas igrejas, nos monumentos, nas paredes. Traços também de espanhóis, franceses, normandos. A herança deixada por eles ajudou a transformar Palermo numa refinada cidade mediterrânea, já escolhida a capital da cultura europeia para o ano de 2018.
Desde os navios da antiguidade às embarcações de hoje, o azul intenso do mar Tirreno é citado nos diários de bordo.
saiba maisSicília, famosa pela dieta mediterrânea, tem mercados de 1,2 mil anosEquipe do Globo Repórter testemunha explosão de vulcão na SicíliaItalianos redescobrem antigo grão de trigo, que produz pão mais saudávelRuínas de cidade que abrigou 200 mil pessoas são mistério em AgrigentoPasta de amêndoa: o segredo de um doce que enlouquece os italianos
O laboratório de povos resultou numa nova beleza e num jeito próprio de viver. Enriquecida por diferentes culturas, a Sicília ajudou a exportar um estilo de vida e um regime alimentar, que vem de tempos muito antigos e de populações pobres.
E é deste cenário deslumbrante que a equipe do Globo Repórter parte para descobrir os novos caminhos da dieta mediterrânea. Esta receita de vida saudável, que influenciou o mundo, sempre buscou nas tradições culinárias do passado o segredo do comer bem. Uma das sementes do seu futuro pode estar numa ilha conhecida pela fertilidade das suas terras. O maior contraste de Salina em relação às outras ilhas Eólias é a vegetação exuberante. A ilha mais verde é também a mais perfumada. Quatrocentas espécies de essências de árvores e arbustos foram catalogadas há 35 anos, quando essa grande reserva natural foi criada.
Uma planta asiática chegou à região há mais de 200 anos e se adaptou divinamente ao território de casinhas coloridas, vida tranquila e uma suave brisa marinha que envolve toda ilha.
Um botão de flor que tem o gosto do mediterrâneo e nascem arbustos próximos dos vulcões. Desde a antiguidade é conhecida como uma planta afrodisíaca. A qualidade da alcaparra depende muito da sua conservação. Mas na região ela não é encontrada em vidros ou latas industrializadas. É a pureza do sal siciliano que protege a planta e realça o seu sabor. Mas do que isso, conservada com sal, esta espécie aromática não perde  as suas propriedades medicinais. Combate a tosse, a hipertensão, é anti-inflamatória e antialérgica.
“Salina é a terra da alcaparra, provavelmente o berço. Não conseguimos pensar num prato sem ela. Está em todas as receitas e na nossa tradição”, diz Roberto Rossello, produtor de alcaparras.
Também nas inovações dos novos cozinheiros, como no sorvete da chef Martina Caruso. É um sorvete feito com alcaparras de Salina, ricota de Vulcano e leite, acompanhado de biscoito semidoce.
Foram os sicilianos que introduziram a alcaparra nas tradições italianas e nas receitas de todo país.
Essa ilha paradisíaca também se tornou conhecida pela bebida que produz há séculos, o vinho dos vulcões. Extraído de uma uva perfurmada, a malvasia, é um poderoso antioxidante capaz de retardar o envelhecimento e fortalecer o sistema imunológico, além de proteger as artérias, o coração e os rins, se for consumido com moderação.
A plantação é artesanal, o que torna o produto ainda mais saudável. O produtor de vinho Francesco Fenech não tem pressa. Ele repete o ritual de produção ensinado pelos gregos, no primeiro século antes de Cristo. Produz um vinho doce feito de uva passa. Vinho com gosto de damasco e figo seco. 
Globo Repórter: cultivar a malvasia para o senhor é apenas um negócio ou também uma questão de família?
Francesco Fenech: é uma questão de família. Vendi terras e casas para levar a empresa adiante. É algo afetivo, muito forte. Meu pai passou para mim. É um vinho que tem qualidades excepcionais. Nem precisa irrigar o terreno. A fertilidade vulcânica, o húmus que tem essa terra, não existe em outros lugares. Isso é sinal de civilização, de cultura.
A expressão dieta mediterrânea, originalmente, significa a dieta que se pratica onde nascem as oliveiras. O azeite, portanto, foi o primeiro tempero. Os polifenóis – sua principal substância – são típicos das plantas que conseguem se defender dos parasitas e das bactérias. O óleo extraído da azeitona mantém as propriedades anti-inflamatórias e antibacterianas da árvore mãe, a oliveira.

Fonte: G1