O Rally Dakar, competição off road mais tradicional do mundo da velocidade, já está quase em sua metade na edição de 2022, no deserto da Arábia Saudita, mas uma questão importante surgiu nesta sexta-feira. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, sugeriu um eventual cancelamento do rali após a explosão de um veículo em um possível “ataque terrorista” no último dia 30, dois dias antes do início do evento.

“Achamos que talvez valesse a pena desistir desse evento esportivo. Os organizadores decidiram mantê-lo”, disse Le Drian em entrevista à televisão francesa BFMTV e à rádio também francesa RMC. “Neste caso, temos que ser muito cuidadosos, pelo menos para pôr em prática suficientes e reforçados dispositivos de proteção. Acho que fizeram isso, mas, de qualquer modo, a questão permanece em aberto”, acrescentou.

O chefe da diplomacia francesa afirmou que “talvez tenha havido um atentado terrorista contra o Dakar” e pediu “mais transparência” às autoridades sauditas.

Os fatos remontam ao último dia 30, em Jeddah (centro-oeste da Arábia Saudita), quando um veículo ocupado por cinco franceses sofreu uma explosão. Seu motorista, Philippe Boutron, de 61 anos, ficou gravemente ferido e foi repatriado para a França.

Na última terça-feira, a Procuradoria nacional antiterrorista francesa anunciou a abertura de uma investigação preliminar sobre a explosão por “tentativa de homicídio em conexão com um grupo terrorista”. Ela será conduzida pelo serviço de Inteligência DGSI.

Embora as autoridades sauditas tenham descartado no sábado a hipótese de um ato criminoso e descrito o ocorrido como um “acidente”, a organização da prova e a Chancelaria francesa não descartaram a primeira possibilidade. “Já houve ações terroristas na Arábia Saudita contra interesses franceses”, disse o ministro das Relações Exteriores.

Em outubro de 2020, um guarda do consulado da França em Jeddah foi ferido em um ataque a faca. Duas semanas depois, um atentado na mesma cidade deixou dois feridos durante a cerimônia de armistício da Primeira Guerra Mundial. Participavam do evento diplomatas ocidentais, principalmente franceses.

O Rally Dakar enfrenta ameaças à sua segurança desde a sua primeira edição, em 1979. Entre 2009 e 2019, foi transferido para a América do Sul para escapar de possíveis ações terroristas vinculadas a conflitos na África.