Justiça envia investigação dos R$ 51 milhões de Geddel ao STF

O juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, titular da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, enviou nesta quarta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) o inquérito que apura o envolvimento do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) com os 51 milhões de reais encontrados em um apartamento em Salvador. A medida foi tomada porque as investigações apontaram para a participação do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel, nos supostos crimes cometidos.

Por exercer mandato legislativo, Lúcio Vieira Lima possui prerrogativa de foro e só pode ser investigado pelo STF. Segundo o juiz, a autoridade policial não poderá avançar nas apurações contra Geddel sem esbarrar em provas ligadas ao deputado. Agentes da Polícia Federal (PF) encontraram no apartamento uma fatura pertencente a uma funcionária que trabalha na casa do parlamentar. Uma testemunha também ligou o deputado à fortuna encontrada no local.

Vallisney disse que Lúcio Vieira Lima não era alvo das ações que apuravam fatos anteriores à apreensão dos valores, mas deverá ser investigado porque há provas capazes de levá-lo ao eventual indiciamento pelo crime de lavagem de dinheiro.

Para os investigadores, o apartamento em Salvador era um “bunker” de Geddel. Após uma denúncia anônima, a PF deflagrou a Operação Tesouro Perdido, um desdobramento da Cui Bono?, e fez no imóvel a maior apreensão de dinheiro em espécie da história do país. Segundo os policiais, as digitais do ex-ministro foram encontradas nas cédulas e nas caixas que guardavam os 51 milhões de reais no apartamento.

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Dono formal do imóvel, o empresário Silvio Silveira confirmou em depoimento que o apartamento estava emprestado para o uso de Geddel. Ouvido pela PF, Silveira afirmou ter cedido o imóvel para que o peemedebista guardasse os pertences do seu pai, falecido em 2016, e que não tinha conhecimento de haver dinheiro no apartamento.

Os indícios levaram à prisão de Geddel no último dia 8. Também foi preso Gustavo Ferraz, um ex-assessor do ex-ministro que também teve as digitais encontradas no dinheiro. Em depoimento, Ferraz admitiu que buscou dinheiro para Geddel em São Paulo, em 2012.

A Cui Bono? investiga desvios na Caixa Econômica Federal, da qual Geddel foi vice-presidente de Pessoa Jurídica entre 2011 e 2013. De acordo com as investigações, Geddel, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e outro ex-executivo da estatal, Fábio Cleto, receberam benefícios indevidos em troca da autorização de empréstimos e financiamentos pela Caixa.

Na sua colaboração com a Justiça, revelada em primeira mão na edição desta semana de VEJA, Funaro afirmou ter intermediado um pagamento de 1 milhão de reais em propinas da Odebrecht para Geddel. O doleiro disse que o dinheiro teria saído dos 4 milhões de reais que retirou no escritório do advogado José Yunes, um amigo íntimo do presidente Michel Temer. Até então, a informação que se sabia é que todo esse valor teria como destino o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

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Fonte: Veja.com