Senadora Kátia Abreu flerta com esquerda e critica ‘reacionários’

06/05/201719h27Numa tarde de março, uma mulher negra com tranças no cabelo e uma transsexual loira conversavam numa sala que, há poucos anos, era parada obrigatória para homens com chapéus e botas de couro em passagem por Brasília.
A recepção do gabinete da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) –decorada com retratos de africanos em roupas tradicionais e uma foto em que ela aparece abraçada a dois indígenas– tem atraído um público diferente desde que a peemedebista reassumiu seu posto no Congresso, após deixar o cargo de ministra da Agricultura do governo Dilma Rousseff (PT) e se projetar como uma das principais defensoras da ex-presidente
A lealdade de Abreu a Dilma a afastou dos ruralistas, setor que apoiou a queda da petista com entusiasmo e do qual a senadora agora tenta se diferenciar ao defender “um agro moderno, sem posturas reacionárias”. Mas a nova postura também lhe fez ganhar admiradores à esquerda e a expôs a outras bandeiras políticas.
A BBC Brasil entrevistou a senadora em seu gabinete em 29 de março. Interrompida para que Abreu discursasse no Senado, a conversa foi retomada seis dias depois por telefone – quando voltou a ser encerrada abruptamente, desta vez após a senadora ser questionada sobre seu envolvimento com denúncias investigadas pela Operação Lava Jato.

Fonte: Folha de S.Paulo