Reserva ambiental em área alagada leva visitantes ao interior de Taiwan

​​A ilha de Taiwan, chamada de Formosa pelos portugueses durante o século 16, hoje é marcada pela convivência da modernidade com a tradição.

Isso é mais evidente na capital, Taipé, onde ficam o edifício mais alto do país, o Taipé 101, com justamente 101 andares, e o Museu do Palácio Nacional, que guarda centenas de milhares de quadros, louças e outras peças de dinastias chinesas do passado.

Já o interior mistura atrativos naturais e arte de rua.

Taichung, a segunda maior cidade do país, fica a uma hora de trem-bala da capital (ou o dobro do tempo, de carro). Além dos sabores do mercado de rua, dos templos budistas e da arquitetura, dois pontos turísticos relativamente novos na região têm atraído principalmente jovens interessados em boas fotos para postar nas redes sociais.

A reserva ambiental de Gaomei é um ponto muito buscado para observar o pôr do sol.

Trata-se de uma área alagada, no encontro do rio Dajia com o mar, que concentra aves migratórias, caranguejos e outros animais típicos de regiões de pântano.

Nem sempre a natureza do local foi assim. Gaomei, originalmente, era apenas praia. Com a criação do porto de Taichung, nos anos 1970, a lama e o musgo ganharam espaço e afastaram os banhistas. 

Por outro lado, permitiu o desenvolvimento de uma nova vegetação e de um berçário para aves, peixes e crustáceos.

A concentração de pássaros e o tipo de ambiente voltaram a atrair turistas, principalmente nos últimos 20 anos. A reserva ambiental recebe anualmente 2 milhões de visitantes, que se reúnem, principalmente, no entardecer.

A região também é conhecida pela intensidade das correntes de ar e por isso foi escolhida para produzir energia eólica. Há 18 turbinas em Gaomei, que geram 36 mil kW por ano. Essa matriz energética, porém, representa apenas 0,7% de toda a geração elétrica nacional.

Uma passarela de madeira de 600 metros estende-se sobre o terreno alagado. Ao cair da tarde, a passagem começa a lotar de pessoas –grupos de amigos, casais e famílias com seus celulares e máquinas fotográficas. As turbinas de energia alinhadas no horizonte completam a paisagem.

A cidade ainda tem o seu próprio Beco do Batman, o conhecido corredor de grafites no bairro da Vila Madalena, em São Paulo. 

A Rainbow Village (vila do arco-íris, em inglês) surgiu em um conjunto de casas militares que ficou abandonado por décadas, até ganhar cores pelas mãos de Grandpa, apelido do veterano de guerra chinês Yung-Fu Huang, que se mudou nos anos 1950 para Taiwan. 

Hoje, aos 95 anos, o artista autodidata pode ser visto todos os dias colorindo a vila que ajudou a tornar famosa.

Tudo começou em 2008, quando Grandpa decidiu comprar ele mesmo tintas e pincéis e cobriu o espaço de cores, do chão ao telhado.

Seis das casas da vila foram completamente preenchidas com imagens de crianças, casais, sacerdotes, além de figuras de pandas, gatos, dragões, porcos e pavões. Todos sempre sorrindo.

Dois anos depois, em 2010, o governo da cidade decidiu demolir o conjunto para atender à expansão imobiliária. Estudantes iniciaram um movimento para proteger o local e torná-lo uma área cultural.
A decisão foi suspensa e, desde então, a Rainbow Village tornou-se um importante ponto turístico da cidade. 

Em 2017, segundo a última estimativa da prefeitura, foram 2 milhões de visitantes, a maioria proveniente da China, de Hong Kong, do Japão e de outros países asiáticos. Mas também há a presença de europeus e americanos.

As paredes são constantemente retocadas por Grandpa, que começa seu trabalho às 4h e, ao longo do dia, sempre que a saúde permite, senta-se próximo ao público para desenhar, ciente do interesse dos turistas em observar seu trabalho.

A entrada é gratuita. Os custos com tinta, pincéis e conservação são cobertos pela venda de souvenires.
Para quem pode estender a estadia em Taichung, vale fazer um passeio arquitetônico pela cidade. Um dos principais marcos é o Teatro Nacional, que reúne salas de concerto, cafés, lojas e um jardim na cobertura. A principal característica da obra do arquiteto japonês Toyo Ito são as paredes curvas.

Prédio na capital simboliza trajetória conturbada da ilha

País autônomo de regime democrático, Taiwan é considerada uma província rebelde pela China, que não reconhece a independência da ilha.

Ao longo de sua história, a região foi dominada por holandeses, chineses e japoneses, que a governaram entre 1895 e 1945.

Após a Segunda Guerra Mundial, a ilha passou a pertencer à China, então sob o governo do general nacionalista Chiang Kai-shek (1887-1975). Ele foi derrotado pelos comunistas chineses durante a guerra civil e decidiu se refugiar em Taiwan, em 1949.

Em 2016, o país elegeu sua primeira presidente, Tsai Ing-Wen, que esteve envolvida em um episódio recente de tensão entre China e Estado Unidos.

Na ocasião da vitória de Wen, o presidente Donald Trump quebrou um protocolo e conversou por telefone com a presidente taiwanesa –China e EUA são importantes parceiros comerciais.

Já o Brasil não tem relações diplomáticas formais com Taiwan porque, desde 1974, reconhece que a China tem jurisdição sobre a ilha. 

Brasileiros, portanto, precisam de visto para entrar lá (informações sobre como conseguir o documento estão disponíveis no site roc-taiwan.org). Há, no entanto, cooperação entre os países por meio de escritórios econômicos e culturais. 

A capacidade do taiwanês de, ao longo de sua história, suportar tensões e sucessivas guerras pode ser sintetizada na imagem do edifício Taipé 101. Inaugurado em 2004, na capital do país, com seus 101 andares e 508 metros de altura, o prédio figurou como o mais alto do mundo até 2010, quando foi desbancado pelo Burj Khalifa, em Dubai

A resistência do prédio e de sua estrutura capaz de suportar terremotos foi posta à prova, na prática, em fevereiro deste ano, durante um abalo sísmico de magnitude 6,4 que atingiu o país. 

O sistema de amortecimento é composto por uma imensa bola suspensa por cabos de aço. Durante o terremoto de fevereiro, o mecanismo registrou a maior movimentação de sua história, sem prejuízos à sua estrutura.

O Taipé 101 conta com um mirante no 89º andar. O ingresso individual custa NT$ 600 (novo dólar taiwanês), equivalente a R$ 76.

Ainda na capital, turistas podem conhecer um acervo de aproximadamente 700 mil objetos de dinastias chinesas anteriores ao fim da Segunda Guerra Mundial, um dos maiores do mundo, no Museu do Palácio Nacional. 

São quadros, louças, joias, utensílios domésticos, peças em jade, lápis-lazúli (pedra semipreciosa) e bronze, além de exemplares da antiga caligrafia chinesa, que abrangem um período dos anos 1000 até o século 20. A entrada custa NT$ 350 (R$ 45).

Espremido entre prédios contemporâneos, o templo Logshan, localizado no distrito de Manka, na capital, é outra oportunidade de conhecer a história taiwanesa.

Fundada em 1738, a construção é dedicada à deusa budista da misericórdia (Guan Yin, em chinês) –mas também acabou incorporando alguns aspectos do taoismo. 

O atual edifício foi reconstruído nos anos 1920 e já passou por múltiplas reformas, depois de ter sido atingido por terremotos e por um bombardeio na Segunda Guerra.


Pacotes

NT$ 11.758 (R$ 1.500)
3 noites, no  Kimpton Hotels (kimptonhotels.com)
Hospedagem para uma pessoa no hotel Kimpton Da An, em Taipé, sem café da manhã. A diária inclui bicicletas para empréstimo e café, chocolate quente, chá e uma taça de vinho de cortesia, todos os dias. Sem passagem aérea. 

US$ 780 (R$ 3.077)
3 noites, na RCA (rcaturismo.com.br)
Hospedagem para uma pessoa no hotel Howard Plaza, em Taipé, com café da manhã e passeio pelo Sepulcro dos Mártires e Museu Nacional do Palácio. Inclui traslados entre hotel e aeroporto, mas não as passagens aéreas. 

US$ 1.000 (R$ 3.944)
4 noites, na New Age (newage.tur.br)
Pacote individual para hospedagem em apartamento duplo no hotel Howard Plaza, em Taipé, com café da manhã. Inclui visita panorâmica pela cidade e traslados entre hotel e aeroporto. Sem passagem aérea. 

R$ 5.166
3 noites, na Maringá Turismo (maringalazer.com.br)
Hospedagem no hotel Regent Taipé, em 14 de novembro. Inclui visita ao Sepulcro dos Mártires, Museu Nacional do Palácio, Memorial Ching Khai-Sek , templo de Longshan e centro de artesanato de Taiwan. Sem aéreo. 

€ 2.372 (R$ 10.478)
7 noites, na CVC (cvc.com.br)
Pacote para Hong Kong, Macau e Taiwan (Taipé), com pernoite em hotéis quatro estrelas. Inclui visita ao templo de Longshan, ao Museu Nacional do Palácio e ao Parque Geológico de Yehliu, entre outros passeios. Sem aéreo. 

R$ 29.179
12 noites, no Regent Seven Seas (pt.rssc.com)
Valor por pessoa em suíte dupla para cruzeiro que vai de Hong Kong a Tóquio, com um dia em Taipé. Com regime de alimentação all-inclusive e passeios nas paradas do navio. Válido para saída em março de 2020. Sem aéreo. 

Fonte: Folha de S.Paulo

Comentários Facebook