A repórter Mariana Agunzi, que trabalha na Homepage e é responsável pelo blog Pitaco Cultural, da Folha, curtiu um tanto de suas férias em Capitólio (MG) ao lado do marido e de suas cadelas Lola e Flor.

Abaixo, ela conta como aproveitou trilhas, lancha e cachoeiras, tudo ao lado duplinha canina.

Em tempos de coronavírus nossas viagens ficaram mais restritas. Mas ainda podemos relembrar momentos marcantes que tivemos em outras cidades. Que tal compartilhar sua história de viagem com o blog Check-in? É só escrever para o email [email protected].

*

Há cerca de um ano, selfies em cânions e cachoeiras de água cristalina vêm pipocando nas redes sociais. Foi por meio de um conhecido que postou uma dessas fotos que eu e meu marido decidimos conhecer a pequena Capitólio (MG) —o tal do “mar de Minas”.

A cidade de pouco mais de 8.000 habitantes se tornou o principal destino do entorno da hidrelétrica de Furnas, atraindo turistas o ano todo por conta da beleza exuberante de suas águas. Ela virou nossa opção para as férias na pandemia, já que poderíamos fazer passeios a céu aberto, ir de carro (evitando deslocamento em aeroporto) e, também, mas não menos importante: levar Lola e Flor, nossa duplinha canina.

Viajar com as duas é minha escolha sempre que possível. Não apenas para economizar com o hotelzinho, mas porque é divertido. Às vezes há contratempos, como uma vez que passamos por uma infestação de pulgas em um hotel que se dizia pet friendly, em Paraty (RJ). Mas no geral, dá bastante certo.

A verdade é que conseguimos aproveitar 100% dos passeios em Capitólio com as cachorras. Em cinco dias, nós quatro andamos de lancha, fizemos trilhas, descansamos e tomamos muito banho de água gelada (bem gelada!) nas cachoeiras.

O lago de Furnas

Sou adepta de explorar os locais “solo”, sem depender de turmas ou companhias. Mas é fato que não há como ir a Capitólio sem realizar o passeio pelo lago de Furnas, de onde saem as famosas selfies entre cânions e sobre águas esverdeadas.

O lago artificial surgiu com a conclusão da barragem da hidrelétrica de Furnas, em 1963, e banha 34 municípios. A maioria dos passeios saem da ponte do rio Turvo, que fica a cerca de 20 km do centro da cidade.

Daí vem a primeira dica: a melhor forma de se aproveitar Capitólio é de carro. Ter um veículo facilita o deslocamento para o rio Turvo e para as cachoeiras, que também ficam fora do centro da cidade.

O passeio pelo lago dura 3 horas e custa cerca de R$ 90 por pessoa. Existem diversas agências que operam por ali —ligamos em algumas e nenhuma delas se recusou a levar as cachorras. Como elas são pequenas, não precisamos pagar uma passagem extra —foram em nosso colo. Para cães maiores, pode ser necessário comprar um ingresso, já que necessitam de mais espaço.

As cachoeiras da região

A cereja do bolo de Capitólio são suas cachoeiras. Há várias, com trilhas de diferentes níveis de dificuldade, e todas com águas límpidas e belíssimas para mergulhar.

Conhecemos algumas, começando pela Cachoeira da Capivara, um complexo com duas quedas grandes d’água e 40 piscinas naturais no caminho entre elas. A trilha é de média dificuldade (partindo de uma paulistana pouco acostumada), por causa de suas pedras e irregularidades, mas sem dúvidas dá para chegar lá.

Também visitamos a Canela de Ema (com piscinas douradinhas) e a Cachoeira do Lobo —menor, mas não menos bonita. Elas apresentavam alguma estrutura ao visitante, com restaurante para almoço e redes para descanso. Para todas, nos deslocamos de carro até o início do percurso.

Mariana Agunzi e as cachorras Flor e Lola Maria, alegres em dia de sol (Arquivo pessoal)

Já a trilha dos Vikings demandou agendar o passeio com veículo 4×4, pois são três cachoeiras e mais a pedreira da Logoa Azul —uma pedreira de extração de quartzito desativada, que abriga um lago lindo de água esmeralda—, cujo acesso com carro comum é inviável. Esse passeio custa cerca de R$ 150 por pessoa, dura o dia todo, e também não tivemos dificuldades para levar nossos pets.

Vale saber: Lola e Flor se saíram muito melhores do que eu nas trilhas, subindo e descendo pedras sem a menor dificuldade. Quando sentimos confiança, soltamos as duas da guia e elas nos seguiram durante todo o percurso. Lola se arriscou a pular sozinha na água gelada. Parece que gostou da sensação de liberdade.

Onde se hospedar

Com o crescimento do turismo, Capitólio passou a oferecer muitas opções de hospedagem. Há hotéis e pousadas no centrinho, mas os melhores ficam nas estradas que permeiam as cachoeiras e também no Escarpas do Lago, um condomínio de alto padrão localizado à beira do lago de Furnas. Neste, os preços são bem salgados.

Nós optamos por alugar um chalé pelo aplicativo Airbnb. Geminado, possuía quintal com grama, uma pequena cozinha e tudo o que precisávamos para passar os dias com as cachorras sem preocupação (nem com elas, nem com vizinhos). A diária saiu por volta de R$ 200, mas os preços variam bastante de acordo com o tipo de acomodação.

Capitólio na pandemia

Na semana que visitamos a cidade, o plano de quarentena do estado de Minas Gerais permitia a realização dos passeios normalmente. Entretanto, é importante checar como está a situação antes de realizar a viagem.

As trilhas foram bastante tranquilas, pois eram todas a céu aberto e em locais em que manter o distanciamento seguro era fácil. O mesmo não se pode dizer dos passeios de lancha pelo lago, que continuam saindo com muitos turistas.

Para eles, o conselho é reservar um dia na semana, já que os sábados e domingo estão sempre abarrotados. E não abrir mão do uso de máscara e do álcool 70%, nossos principais aliados.

*

Aviso aos passageiros 1: Viajar para Capitólio não é barato. Primeiro porque está “hypado” e os preços na alta temporada sobem. Além disso, praticamente todas as cachoeiras estão situadas em propriedades privadas. Ou seja: para acessar, você tem que pagar, e algumas custam R$ 40 por cabeça

Aviso aos passageiros 2: Capitólio está em Minas, mas a gastronomia ainda não é um dos fortes da cidade. Se você espera encontrar um sem-fim de opções mineiras, esqueça. A cidade ainda está se desenvolvendo. Quem sabe num futuro próximo

Fonte: Folha de S.Paulo