Longe do centro do Rio, Barra da Tijuca entra na rota de quem quer sossego

Localizada na zona oeste do Rio de Janeiro, a Barra da Tijuca não é um destino óbvio. O bairro fica longe dos principais pontos turísticos da cidade, e a dependência de carro para circular pela região lhe rendeu o apelido de “Miami carioca”.

Desde as vésperas da Olimpíada de 2016, no entanto, a região está se transformando. 

Os marcos dessa mudança foram a inauguração da linha quatro do Metrô em 2016, ligando o Jardim Oceânico ao Leblon em apenas dez minutos, e a expansão hoteleira.

Entre 2010 e 2017, o número de quartos na área quadruplicou, segundo a ABIH-RJ (Associação de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro), passando de 3.500 para 14 mil unidades de hospedagem.

O bairro também atrai a cada dia mais turistas. Nos feriados de 15 e 20 de novembro de 2018, os estabelecimentos registraram 83% de ocupação, de acordo com o SindHotéis (Sindicato de Hotéis do Rio). Em 2017, a taxa foi inferior a 50%.

O motivo é, em parte, a própria distância da zona sul e do centro, que, se antes afastava os viajantes da área, hoje funciona como um atrativo para quem quer curtir a beleza natural do Rio longe do burburinho dos pontos turísticos tradicionais.

É a orla mais extensa da cidade, com belas praias e muito verde.

Contando cerca de 15 quilômetros da praia do Pepê até a divisa com o Recreio dos Bandeirantes, perto do posto nove, é raro ver suas areias cheias como é comum em Copacabana, Ipanema e Leblon.

É avançando pela zona oeste em direção à Barra de Guaratiba, no entanto, que ficam dois dos principais destaques da região: a Prainha e a praia de Grumari.

Situadas em áreas de proteção ambiental, sem prédios ou grandes avenidas ao fundo, as duas só são acessíveis de carro. A vista da praia da avenida Estado da Guanabara já vale a viagem.

A distância da civilização e as ondas fortes colocaram as duas praias entre as preferidas dos surfistas.
Nas outras praias da zona oeste, a modalidade divide o foco com uma variedade de esportes aquáticos, como kitesurfe, windsurfe e stand-up paddle, febre entre os cariocas desde o verão passado.

As lagoas que circundam a Barra são mais um atrativo. Destaque para a de Marapendi, que forma com outras três o complexo lagunar de Jacarepaguá.

Localizada em frente à praia da Reserva, tem vegetação de mangue e fauna diversa, com biguás, garças e até jacarés, que vez ou outra circulam pelas rodovias.

Na lagoa, é fácil esquecer que se está em uma das maiores metrópoles do país. Só não invente de dar um mergulho: as águas são impróprias para banho, de acordo com o Inea (Instituto Estadual do Ambiente).
A EcoBalsas oferece tours guiados por biólogos às quintas, sábados e domingos.

A lagoa é uma das entradas do Campo Olímpico de Golfe, um dos legados dos jogos de 2016. Em área de proteção ambiental, o terreno de um quilômetro quadrado impressiona pelo silêncio.

Quem não joga pode ter um gostinho da calmaria em aulas gratuitas aos sábados e domingos, das 10h às 12h. Mas lembre-se de ir vestido a caráter, de blusa, bermuda e tênis branco.

A oeste da Barra, em Barra de Guaratiba, fica o antigo sítio do paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994), responsável, entre outras obras, pelo desenho do calçadão de Copacabana.

A propriedade, uma antiga plantação de bananas, funcionava como um laboratório vivo de aclimatação de espécies quando era o lar de Burle Marx. Lá estão mais de 3.500 espécies de plantas tropicais —o Jardim Botânico tem 2.750.

Também é possível conhecer a casa e os dois ateliês do paisagista, que ainda desenhava joias, cantava ópera e pintava. As toalhas de mesa do local foram feitas por ele, além de dezenas de quadros e do teto de um dos cômodos.

Os passeios, com duração de uma hora e meia, são guiados e acontecem de terça a sábado. Nos fins de semana, costumam lotar, então é recomendável agendá-los com uma semana de antecedência.

Os viajantes em busca de sossego total podem se hospedar em um dos muitos hotéis de estilo resort do bairro, como o Hilton Barra, o Windsor Barra, o Marapendi, o Grand Hyatt e o Wyndham, antigo Gran Nobile.
Afiliados a redes internacionais, têm complexos de lazer que incluem piscina, sauna e restaurantes.

O Hyatt é o que mais se encaixa no perfil de resort. Mantém uma programação exclusiva para os hóspedes e tem dois restaurantes: o Cantô Gastrô & Lounge, de comida brasileira, e o japonês Shiso. O último foi listado no Guia Michelin Rio de Janeiro e São Paulo 2018.

Para uma gastronomia mais acessível, aposte nos quiosques espalhados ao longo da orla da Barra, que combinam o conforto dos restaurantes ao frescor da brisa do mar.

Sempre lotado em Copacabana, o Seu Vidal abriu em junho sua segunda unidade na Barra, ao lado do posto cinco. Adaptou o cardápio gorduroso original para o clima praiano, com sanduíches mais leves, de atum marinado e salmão (ambos R$ 45).

Mais adiante, em frente à praça do Ó, fica o Bar&Co de Jessica Sanchez, primeira mulher a coordenar o bar do Copacabana Palace. A carta de drinks tem opções refrescantes, como o Grasshopper, de vodka, kiwi, capim limão e hortelã (R$ 25), e o Queen Sizzle Park, de rum envelhecido, limão, hortelã e licor Angostura (R$ 29).

Próximo do posto dois, o K08 é o ponto de encontro da turma saudável. No quiosque, sede de um clube de kitesurfe de mesmo nome, a pedida é a tigela de açaí natural (R$ 29).

Ali perto, a avenida Olegário Maciel é o centro da vida noturna barrense e reúne restaurantes e bares com preços e propostas culinárias variadas.

Destaque para os “pés-limpos”, como os cariocas chamam os botecos arrumadinhos, com uma atmosfera que lembra a do baixo Leblon, da Gávea e de Botafogo, locais onde a regra é ver e ser visto. 

Há também filiais de alguns restaurantes queridinhos da zona sul e do centro, como o árabe Bar do Elias, o Brewteco, o T. T. Burger de Thomas Troigros e a Void, mistura de bar e loja favorita do público alternativo.
Uma mudança e tanto em relação ao antigo estereótipo da Barra da Tijuca, de condomínios fechados e shoppings.

A jornalista viajou a convite do hotel Grand Hyatt Rio de Janeiro
 


Passeios na zona oeste

Lagoa de Marapendi A EcoBalsas faz incursões na lagoa às quintas (9h30), aos sábados (17h) e aos domingos (11h) durante o verão. O preço é R$ 30; crianças de quatro a dez anos e idosos pagam meia

Campo Olímpico de Golfe  Oferece aulas gratuitas aos sábados e domingos, das 10h às 12h

Sítio Burle Marx Tem visitas guiadas de terça a sábado, às 9h30 e às 13h30, por R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia. Agendamento pelo email [email protected] ou pelo tel. (21) 2410-1412


PACOTES

R$ 402 
2 noites, no Submarino Viagens (submarinoviagens.com.br
Na Barra da Tijuca, com café da manhã. Com passagem aérea a partir de São Paulo. Preço por pessoa
R$ 686 
2 noites, na RCA (rcaturismo.com.br)
Na Barra, com café da manhã. Inclui passeios pelo Rio e seguro-viagem. Sem aéreo. Valor por pessoa
R$ 731 
4 noites, na CVC (cvc.com.br
Na Barra, com café da manhã. Inclui passagem aérea a partir de São Paulo. Preço por pessoa
R$ 880 
3 noites, na Flytour MMT (flytourmmt.com.br)
Na Barra, com café da manhã. Inclui traslados e seguro-viagem. Com aéreo a partir de São Paulo. Valor por pessoa
R$ 966 
3 noites, na Maringá Turismo (maringalazer.com.br
Na Barra, com café da manhã. Inclui passagem aérea a partir de São Paulo. Valor por pessoa
R$ 969 
4 noites, na Azul (azulviagens.com.br
Na Barra, com café da manhã. Inclui passeios pelo Rio e aéreo a partir de Campinas. Valor por pessoa
R$ 1.166 
3 noites, na New Age (newage.tur.br
Na Barra, com café da manhã. Inclui passeios pelo Rio, visita a Petrópolis e seguro-viagem. Com passagem aérea a partir de São Paulo. Preço por pessoa 

 

Fonte: Folha de S.Paulo

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