Estados retomam festas com multidão, jogos com público e shows com 700 pessoas

Mesmo com a circulação da variante delta e as mortes pelo país, prefeitos e governadores decidiram liberar grandes eventos como Réveillon, jogos de futebol com público e festas com centenas de pessoas diante do avanço da vacinação e a queda nas internações em UTIs para Covid.

Para isso, suspenderam toque de recolher e passaram a exigir teste negativo para a doença ou comprovante de imunização para a entrada nos eventos. Em alguns casos, governos alegam que os eventos estão servindo como testes.

A reabertura de atividades acontece num momento em que a média móvel diária de mortes devido ao novo coronavírus baixou de mil pela primeira vez desde janeiro, mas ao mesmo tempo em que a variante delta — mais contagiosa e que provocou alta de casos em outros países— gera preocupação de especialistas por ter começado a se espalhar no país.

Na Bahia, o toque de recolher foi extinto nesta sexta-feira (6), quando também foram autorizadas atividades com até 300 pessoas (casamentos, formaturas), mas continuam proibidas festas, shows e eventos esportivos com a presença de público.

Na capital baiana, ainda sem data confirmada, a prefeitura pretende se reunir com representantes dos setores de eventos para avaliar a possibilidade de realizar um teste com 500 pessoas no Centro de Convenções.

A intenção de realizar o evento teste foi anunciada pelo prefeito Bruno Reis (DEM) no final de junho, como preparativo para o Réveillon e para o Carnaval de 2022, “mas só quando chegasse o momento certo”.

O decreto do governo estadual determina, ainda, que nos municípios em que a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid se mantenha, por cinco dias consecutivos, superior a 60%, eventos e atividades estarão limitados a um público de até 100 pessoas.

No estado, espaços culturais devem funcionar com capacidade reduzida a 50%, enquanto a lotação de estabelecimentos comerciais, bancos e mercados deve ser regulada pelos municípios, assim como as atividades letivas.

O Paraná segue com regras mais brandas de combate à pandemia desde 31 de julho, mas nem tudo está liberado. O toque de recolher permanece com horário reduzido, entre 0h e 5h. Eventos maiores estão permitidos, desde que o público apresente teste negativo ou comprovante de imunização contra a Covid-19. Ainda não está liberado público em estádios.

Em Ponta Grossa, a 120 km de Curitiba, está marcado para este sábado (7) um show da dupla Gian & Giovani, com cerca de 700 pessoas, num espaço com capacidade para 3.000. O evento teste teve autorização da prefeitura.

Curitiba está sob a regência da chamada bandeira amarela, com restrições amenas sobre a pandemia. A circulação de pessoas em locais públicos permanece restrita entre 23h e 5h, mas bares e restaurantes podem operar todos os dias com restrições de horário.

Permanecem fechadas na capital as casas noturnas, de shows e tabacarias. Também seguem suspensos eventos esportivos com público e reuniões com mais de 50 pessoas.

Em Minas Gerais, estão autorizadas pelo governo do estado partidas de futebol com público apenas nas regiões que se encontram na onda verde do programa Minas Consciente, que estabelece regras para o combate ao vírus.

Das 14 regiões de Minas, nove estão nessa condição. Porém, as prefeituras não são obrigadas a aderir ao programa, podendo estabelecer suas próprias regras visando o controle da pandemia.

Belo Horizonte não participa do programa, e autorizou no último dia 29 o retorno parcial do público aos estádios. Desde então foram disputadas em um dos estádios da cidade, o Mineirão, as partidas entre Atlético x Athletico-PR, pela série A do Brasileiro, e Cruzeiro x Londrina, pela série B da competição. Nenhuma, porém, com público, apesar da autorização.

As partidas podem ocorrer com 30% da capacidade do estádio e com apresentação de teste negativo para Covid-19. Questionadas, as assessorias de imprensa de Atlético e Cruzeiro não responderam os motivos que levaram os clubes a abrir mão da presença parcial de público.

O estado deu aval para realização de festas e shows com público superior a 600 pessoas a partir do dia 15 para regiões que se encontram nas ondas amarela e vermelha. Deverá ser apresentada documentação que comprove vacinação completa contra Covid-19 para acesso.

A Prefeitura de Ouro Preto participa do Minas Consciente, mas eventos de maior porte só ocorrerão a partir do mês que vem. “Estamos em negociação com alguns produtores, mas são eventos para setembro”, afirma o secretário de Turismo da cidade, Rodrigo Câmara.

Para regiões que estão na onda verde os eventos com mais de 600 pessoas já estão autorizados sob os seguintes critérios: aferição de temperatura na entrada e proibição de acesso em caso de registro superior a 37,5° e comunicação sobre regras de prevenção à doença.

Em Belo Horizonte a prefeitura autorizou também no dia 29 de julho a volta de shows para até 800 pessoas em plateia com assentos fixos sem venda de bebida e alimentos. Quando houver comercialização de ambos, o limite de público cai para até 600 pessoas.

Dentro da reabertura, uma das mais tradicionais casas de show da cidade, o Palácio das Artes, marcou para o próximo sábado (14) apresentação da Orquestra Mineira de Rock.

A reabertura gradual da capital mineira alcança também bares e restaurantes, que desde o dia 29 podem funcionar de 11h às 23h. Antes o fechamento deveria ocorrer às 22h.

No Rio Grande do Sul, foi aprovada a realização da 36ª edição do Natal-Luz em Gramado, data que atrai turistas à serra gaúcha, com cumprimento de protocolos sanitários obrigatórios e ampliação da fiscalização e controle das medidas. O estado salienta, porém, que, em caso de mudança do quadro de risco, pode haver alterações nos protocolos.

Uma produtora de Porto Alegre organizou um evento com cerca de 600 pessoas, incluindo público e trabalhadores, no fim de julho, para testar a retomada de grandes eventos na capital gaúcha. Todas as pessoas foram testadas antes da festa e aquelas que tiveram teste com diagnóstico positivo para o novo coronavírus foram afastadas, de acordo com os organizadores.

Segundo a prefeitura, na testagem realizada após o evento, de 156 pessoas, duas tiveram teste com resultado positivo para o vírus.

Na avaliação do diretor da Vigilância em Saúde, Fernando Ritter, o resultado reforçou o plano de retomada de grandes eventos apresentado pela prefeitura da capital ao estado na metade do mês. O plano ainda está em análise pelo governo estadual.

Em Porto Alegre, cinemas, teatros, casas de shows e similares podem funcionar atualmente com público exclusivamente sentado, com distanciamento e número de pessoas observando protocolos definidos pelo estado —com até 300 pessoas, entre público e trabalhadores, não é necessária autorização.

Já em bares, restaurantes, lanchonetes e outros estabelecimentos do tipo, é proibida a abertura de pistas de dança ou similares e o consumo de alimentos e bebidas para clientes em pé. Os grupos podem ter no máximo seis pessoas, com distanciamento mínimo de dois metros entre as mesas, além de outras medidas.

Na metade de julho, a Câmara chegou a aprovar um projeto que autorizaria a presença de 25% do público em estádios. Ainda falta sanção. Até o momento, a presença de público segue proibida.

No Amazonas, todas as atividades, com exceção das boates e casas de shows, estão liberadas para funcionar com restrições, como ocupação máxima de 50% da capacidade e limite de horários.

Atualmente está em vigor o decreto 44.179, de 9 de julho de 2021, que reduziu o horário de restrição de circulação para o período de 1h até 5h, exceto para quem trabalha ou é consumidor de feiras e mercados públicos, que podem circular a partir das 4h.

Supermercados, padarias, lanchonetes, restaurantes e bares que funcionam como restaurantes, lojas de conveniência e academias podem abrir das 6h à 0h, desde que com a lotação limitada a 50% da capacidade do espaço.

Outra prática vetada pelo decreto, mas ainda não cumprida por todos, é a visita a comunidades ribeirinhas por turistas. Nas igrejas, a presença de pessoas em pé segue proibida e a lotação máxima nos eventos deve ser de 30% da capacidade dos espaços. Nos estádios de futebol, ainda é vetado o público.

Fonte: Folha de S.Paulo

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