Debate sobre definição de índios cresce após ataque no Maranhão

06/05/201702h00Chamados de “supostos índios” pelo Ministério da Justiça após no domingo (30), os índios gamelas têm sido questionados por falarem português, serem miscigenados e usarem roupas.
Essa acusação é comum contra etnias do Nordeste, onde o contato com o homem branco data do século 16.
Antropólogos e arqueólogos, no entanto, afirmam que a definição de quem é índio leva em conta outras características, como o modo de vida, e que as etnias têm direito à autodeclaração respaldada pela legislação brasileira.
“Os grupos indígenas estão em contato desigual e violento há 500 anos. Não é surpresa que eles perderam a língua e aspectos da organização social, isso só reforça como esse contato foi criminoso”, diz o arqueólogo Arkley Bandeira, da Universidade Federal do Maranhão.
Bandeira afirma que os gamelas mantêm várias características tradicionais, como a agricultura baseada na mandioca e na macaxeira, técnicas de pesca e o uso comunal da terra.
“As característica físicas não são tão levadas em consideração, como no século 19 e início do século 20. Pra ser indígena, não é preciso ter cabelo liso, a pele puxada mais pro pardo”, afirma Bandeira.

Fonte: Folha de S.Paulo