Com chegada do verão, orla pernambucana vai do vazio ao aglomerado

A poucos dias do verão, quem viaja pelo litoral pernambucano encontra, de um lado, jangadeiros usando máscaras, tours em grupos privados e hotéis adaptados à pandemia.

De outro, há espaços com aglomeração e uso irregular de máscaras —em um momento de nova onda de restrições pelo mundo.

Com a expectativa da alta temporada, a Azul projeta que, em janeiro de 2021, a capital pernambucana seja seu primeiro hub a recuperar 100% da capacidade de operação do período pré-pandemia.

Ante a um movimento inicial de visitantes de carro vindos de estados mais próximos, como Alagoas, o fluxo de turistas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste já começa a ser sentido na região, diz Antonio Neves Baptista, presidente da Empetur (Empresa de Turismo de Pernambuco).

Para se preparar para a volta das atividades, uma parceria entre agências estaduais criou protocolos de segurança para empresas e prestadores (como guias e operadoras). Mas, com a chegada do fim de ano, o governo do estado proibiu nesta terça (8) shows e festas, e restringiu horário de bares e restaurantes na véspera de Natal e Ano-Novo.

Ações de conscientização e fiscalização também foram adotadas pelo município de Ipojuca, no litoral sul, onde fica o balneário de Porto de Galinhas, destino mais visitado de Pernambuco. Com 33 km de orla, o município teve 1.051 casos confirmados e 96 mortes (4 nos últimos dois meses).

Mesmo assim, era possível observar, no início do mês, desrespeito ao uso de máscaras e distanciamento social na vila onde ficam restaurantes e lojas. O problema se repetia na praia que dá acesso às piscinas naturais e às barreiras de corais.

Apesar dos jangadeiros responsáveis pelos passeios usarem máscaras, uma boa parte dos turistas se aglomerava para ver os peixinhos —muitos sem a proteção facial.

O panorama é mais controlado, em geral, em hotéis em praias vizinhas. Agora, no resort e spa Porto de Galinhas, famílias em grupos maiores têm sido vistas com mais frequência, diz Licio Turner, diretor de hospitalidade. Em geral, esses hóspedes interagem mais entre si.

Outra diferença, diz ele, é que muitos clientes têm esperado mais para fazer reserva, confirmando em uma data mais próxima da viagem. Os hóspedes, diz Turner, também ligam várias vezes antes da confirmação. “Eles têm perguntas específicas. Querem saber, por exemplo, quais medidas de segurança para os pais idosos. Mas, quando chegam aqui, relaxam”, diz.

Hospedada no hotel Village, a costureira Juliana de Oliveira Paes, 36, de Nova Friburgo (RJ), afirma que a agência de viagem em que comprou hotel e passagem monitorou a situação até poucos dias antes do embarque, e só então emitiu a passagem.

“Mas aqui no hotel o pessoal está bem consciente. Na hora do café da manhã, eu e minha família procuramos um lugar mais tranquilo, tiramos as máscaras e comemos”, diz. De dois salões, as refeições no Village passaram a ser servidas em quatro para aumentar o espaçamento.

Além disso, itens do café da manhã como frios, frutas e pães agora são servidos lacrados, direto à mesa.

A programação de entretenimento também mudou. Com a boate do hotel fechada, há uma programação musical com jantar em sistema de bufê feita na área aberta da piscina. Para evitar que as pessoas se aglomerem, a banda se apresenta em horário reduzido e em espaço separado das mesas.

“As adaptações, inclusive para o show, me deixaram segura porque me protegem de riscos e, ao mesmo tempo, me deixam à vontade para aproveitar”, diz Fabiana Guedes Bandeira, 38, ortodontista.

Ao decidir viajar, o turista assume mais riscos, mas, dentro dessa escolha, pode optar por atividades em que corre menos perigo, diz Mirian Dal Ben, infectologista do hospital Sírio-Libanês.

“Não é o momento de fazer amizades. O viajante deve fazer programas dentro de seu núcleo. Se for curtir uma piscina, procure um lugar menos cheio, que permita dois metros de distanciamento. O mesmo vale para restaurantes”, diz a médica.

A especialista também lembra que tours privados, quando possível, também apresentam menos riscos do que passeios em grupo. A Luck Receptivos, que atua na região, tem visto crescer o número de turistas interessados no serviço, geralmente família e amigos.

Menos visado, litoral norte tem estrutura em desenvolvimento

Sem a base mais estabelecida de restaurantes e hotéis vista no sul, o litoral norte de Pernambuco também tem mar verde e natureza a oferecer, porém com menos visitantes e facilidades.

Empresários têm investido na região para chamar atenção de turistas em visita ao estado.

A agência Martur, por exemplo, tem passeios semanais em grupos e tours privados para municípios como a ilha de Itamaracá.

Quem senta na praia principal da ilha dá de frente para águas calmas, transparentes, que têm no horizonte a Coroa do Avião, ilhota que pode ser vista em um voo panorâmico (R$ 200; 15 min.) a partir do Aeródromo Coroa do Avião.

Pelo lado oposto, a ilhota também pode ser vista do Catamarã Beach Club, em Igarassu, espaço aberto há menos de um ano que oferece day use em frente ao mar, restaurante e passeios —o de lancha sai a R$ 70 por pessoa, em grupo de 6. Para se hospedar, a vizinha pousada Luar (a partir de R$ 450) está instalada em uma área que mistura vegetação de restinga e mata atlântica, e foi aberta oficialmente este ano.

A jornalista viajou a convite do evento Visit Pernambuco Travel Show

Fonte: Folha de S.Paulo

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