Bolsa? Dólar? Ouro? Nada disso: queijo é o melhor investimento do ano

Enquanto vocês acompanhavam a apuração da eleição dos Estados Unidos, meus olhos se voltaram para uma notícia igualmente relevante: em Sinop, Mato Grosso, um homem foi preso por roubar um presunto no valor de R$ 1200.

Tratava-se de um prosciutto di Parma, um tipo de presunto cru italiano. O carro do ladrão, flagrado pelo circuito interno do supermercado, foi interceptado num bloqueio policial. O presunto, desafortunadamente, permanece desaparecido.

Algo semelhante aconteceu num episódio do seriado cômico “Brooklyn 99”. Um indivíduo mata outro depois de uma tentativa frustrada de furtar um jamón ibérico –presunto cru espanhol, mais prestigiado e mais caro do que o italiano.

É a vida imitando a arte, se você considerar arte a torrente de asneiras de “Brooklyn 99”.

Presunto cru sempre foi uma comida muito cara, pois precisa curar por muitos meses (durante os quais perde um monte de peso em água) antes de ser vendido.

Mas a inflação dos alimentos em curso –16,41% em 12 meses, a mais alta desde o Plano Real– torna mais atraente o roubo de comidas de luxo para a revenda no mercado negro.

Um caso exemplar é o leite, que subiu 57% no período. O aumento refletiu nos queijos e, por isso, um quilo de mozarela das ordinárias chega a custar surreais R$ 70. O mesmo preço para o queijo de coalho.

Na Itália, existem quadrilhas especializadas no roubo de parmigiano-reggiano. Lá, no país em que é produzido, o quilo do queijo chega a custar o equivalente a R$ 230 (preço apurado no Carrefour italiano).

Os bandos especializados em queijo são chamados “cavalieri del grana” –os cavaleiros do grana, nome dado a queijos duros e granulosos como o parmigiano e o grana padano.

Não me admira se surgir nestas bandas algo parecido, algo do tipo “cangaceiros do queijo coalho”.

Se você comprou queijo alguns meses atrás, se deu bem: fez um investimento melhor do que a bolsa, o dólar, o ouro e os fundos oferecidos pelo sistema bancário. Só tome cuidado com os ladrões.

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Fonte: Folha de S.Paulo

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