Tim Vickery: Quase ninguém ganha em uma economia focada em reduzir salários

Direito de imagemEduardo MartinoA Revolução Industrial na Grã-Bretanha contou com uma enorme quantidade de mão de obra infantil: até 15% dos trabalhadores fabris eram crianças. Jornadas de 16 horas eram comuns até para quem tinha seis anos de idade.

Ao longo do século 19, uma série de leis (“Factory Acts”) tentou regulamentar as condições de trabalho dentro das fábricas, limitando especialmente o trabalho infantil.
Parece incrível sob a perspectiva de hoje, mas houve oposição a essas leis. Não era função do Estado, diziam, mexer com a produção. E mais especificamente, não era justificável limitar legalmente um contrato já acordado entre as duas partes – no caso, o empresário e o trabalhador mirim.

De repente esse debate parece mais moderno, por dois motivos.
Primeiro, porque ainda tem quem veja o mercado como um fenômeno natural, orgânico – e esquece o óbvio. Sem leis para proteger a propriedade e sem a infraestrutura necessária (o quarto fator de produção depois de capital, trabalho e terra), o mercado não existiria.
O Estado cria o mercado e, portanto, tem direito de estabelecer suas normas.

Fonte: BBC