BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Grandes escritórios de advocacia já se mobilizam contra a atual diretoria da Americanas, que acusou ex-diretores de fraude no balanço da empresa sem que a investigação independente tenha sido concluída.

Avaliam recorrer à Justiça nas próximas semanas para que a empresa apresente as provas dos supostos delitos reportados à CPI que investiga o caso no Congresso.

Os documentos apresentados pelo atual presidente da rede, Leonardo Coelho, indicaram a participação dos ex-diretores Anna Christina Ramos Saicali, José Timótheo de Barros e Márcio Cruz Meirelles, e dos ex-executivos Fábio da Silva Abrate, Flávia Carneiro e Marcelo da Silva Nunes.

Todos eles foram afastados em fevereiro, 23 dias após a divulgação do escândalo contábil, além de Miguel Gutierrez, ex-presidente da varejista. Esse grupo cogita ir à Justiça.

Nos bastidores, consideram que a empresa se precipitou para tentar afastar a responsabilidade das chamadas inconsistências contábeis do trio de bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, fundadores da Americanas, hoje acionistas de referência.

Sicupira é integrante do conselho de administração da Americanas e, até recentemente, atuou diretamente na operação da centenária varejista, segundo alguns dos ex-diretores.

Na avaliação dos advogados, a precipitação da Americanas de tentar isolar o escândalo na gestão passada dos executivos -e não dos acionistas- foi tão explícita que levou o presidente da CPI a solicitar uma espécie de atestado da empresa reconhecendo, ela mesma, que houve fraude.

Para a comissão, esse documento permitirá queimar etapas da investigação que, em vez de comprovar a fraude, já parte disso como pressuposto.