Crédito para capital de giro registra queda

Modalidade de crédito mais procurada pelas empresas, o capital de giro segue travado no País. Apesar da melhora recente no ambiente econômico, as concessões de capital de giro já caíram 14% em 2017 nas operações com recursos que os bancos podem usar livremente e despencaram 43,2% no caso do crédito com dinheiro do BNDES. Apenas em julho, o tombo foi de 32,9% e 25,3%, respectivamente, o que indica que o fundo do poço não foi atingido.

Cerca de 43% do saldo total das operações de crédito para empresas no País, no caso dos recursos livres (fora poupança e BNDES), são de capital de giro. Hoje isso equivale a cerca de R$ 300 bilhões, mas no fim de 2014 – antes da recessão – valor chegou a R$ 375 bilhões.

Com o capital de giro, as empresas podem tocar as operações no curto prazo, pagando fornecedores, contas de luz, água, telefone e salários, entre outros itens. Sem o crédito, elas são obrigadas a recorrer ao próprio fluxo de receita e, no limite, a fechar as portas.

Os dados mais recentes sugerem recuperação nas linhas para as famílias, em sintonia com a melhora da atividade e a baixa da inflação, mas as empresas seguem enfrentando problemas. “O tombo para pessoas jurídicas no período recente é mais prolongado. No capital de giro, as concessões continuam caindo de forma acentuada”, disse o economista João Morais, da Tendências Consultoria.

Em julho, segundo dados do Banco Central, os bancos liberaram apenas R$ 10,77 bilhões em capital de giro para empresas. Em dezembro de 2014, concessões somaram R$ 30,89 bilhões.

A dificuldade atinge empresas de todos os portes, mas é mais preocupante para as menores. “O acesso ao crédito da imensa maioria das micro e pequenas empresas está vedado”, disse o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos. “Percebemos que elas buscam alternativas para não pegar dinheiro em bancos, pois a percepção delas é de ‘pegar e morrer’.”

Uma das explicações é o custo das operações, ainda muito alto. O juro médio de uma operação de capital de giro com recursos livres está em 21,2% ao ano. No melhor momento da série histórica, em 2012, chegou a 15,9% ao ano. “Os pequenos empresários estão evitando pegar dinheiro novo. Cachorro mordido por cobra tem medo até de linguiça”, diz Afif.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.