Ajuda a países pobres é tiro que sai pela culatra, diz Nobel

Dominick Reuter/Reuters16/09/201702h00″Imagine uma multidão, todas as pessoas do mundo, cada uma carregando a bandeira de seu país, como numa gigantesca cerimônia de abertura da Olimpíada”, sugere o escocês Angus Deaton, premiado com o Nobel de Economia em 2015 por seus trabalhos sobre pobreza, consumo e bem-estar.
É com imagens como essa que o economista consegue fazer um livro agradavelmente compreensível para o público geral, mesmo quando a discussão é bastante técnica –técnica o suficiente para interessar aos especialistas.
Na alegoria olímpica, Deaton descreve a evolução econômica dos países. As pessoas avançam em uma velocidade proporcional à do crescimento de seus países: chineses e indianos correm, enquanto haitianos e congoleses (e brasileiros, recentemente) andam para trás.
Mas a marcha é mais complexa: as velocidades variam também entre os cidadãos de um mesmo país. As bandeiras dos EUA se espalham da dianteira até muito atrás, se confundindo com outras.
O mesmo fenômeno que distancia líderes de retardatários ocorre em várias nações. São minoria aquelas em que as bandeiras evoluem cada vez mais próximas.
Se a marcha representa o caminho mundial em direção ao progresso e ao bem-estar, a humanidade está tendo sucesso nesse trajeto?
Deaton, professor da Universidade de Princeton (EUA), é cético em sua resposta.

Fonte: Folha de S.Paulo