Acionistas ainda lutam para blindar Vale contra influências políticas

06/05/201702h00O relógio marcava 17h42 quando o leilão de privatização da Companhia Vale do Rio Doce foi reiniciado na Bolsa do Rio.
Desde as 12h, um vaivém de ordens judiciais impedia que os grupos interessados fizessem lances. A longa espera foi sucedida de batalha curta: às 17h47 de 6 de maio de 1997, a mineradora deixava de ser estatal.
Duas décadas depois, contudo, os acionistas da Vale ainda lutam para blindá-la da ingerência dos políticos e do governo de ocasião.
Essa dificuldade voltou à tona no ano passado, conforme aproximava-se o fim do mandato de Murilo Ferreira, executivo que desde 2011 comanda a mineradora e deixará o posto no fim desse mês.
Aliados do presidente Michel Temer, especialmente da bancada mineira do PMDB na Câmara e do PSDB, apressaram-se a rodear o Planalto para emplacar um nome, relatam executivos ligados à companhia e auxiliares presidenciais.
As tentativas haviam começado logo que o peemedebista chegou ao poder, em maio de 2016. Tinham impulso do então ministro do Planejamento, Romero Jucá.
Influente aliado de Temer, era um dos que incentivava a troca, relatam interlocutores dos sócios e peemedebistas.

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