Exposição em São Paulo reúne itens usados nas missões da Nasa

Como os astronautas fazem xixi? A perguntava ecoava na minha cabeça com a mesma insistência do refrão de Rocket Man, que tocava em looping enquanto imagens no telão resumiam os eventos que levaram à chegada do homem à Lua. Depois que a voz de Elton John cessou, a resposta não demorou para chegar: a sala seguinte expunha uma porção de objetos da Nasa, incluindo um auto-explicativo sistema de coleta de urina usado nas missões Apollo. Curiosidades como essa são o mote da exposição Space Adventure, em cartaz no Shopping Eldorado em São Paulo até 26 de outubro. 

De fato, o primeiro salão após o vídeo introdutório já mata várias curiosidades sobre as expedições espaciais. Entre uma série de capacetes, trajes e botas ainda impregnadas de poeira lunar, há o look completo de Buzz Aldrin, segundo homem a pisar na superfície lunar que, sim, inspirou o personagem Buzz Lightyear de Toy Story. Além dos itens de higiene pessoal, o dia a dia a bordo da nave também é contemplado através das refeições em lata ou desidratas que sobraram das excursões na década de 1960. O menu exposto leva a crer que a preocupação estava muito mais em fazer com que os astronautas se sentissem em casa do que no valor nutricional daquela dieta: biscoitos, geleia de morango, bacon, mac ‘n cheese e – quem diria? – chicletes.

Também estão ali as câmeras de filmagem e as famosas fotos que atestaram “um pequeno passo para o homem, um grande salto para humanidade”: Neil Armstrong ao lado da bandeira dos Estados Unidos, a pegada da bota na Lua e os registros da Terra vista lá de cima, que não deixam dúvidas sobre a redondeza do nosso planeta. Logo ao lado, há uma réplica reduzida do foguete Saturn V e uma série de parafernalhas tecnológicas que, quando colocadas ao lado do meu iPhone, pareceram extremamente precárias para um feito tão importante. Aliás, algumas soluções encontradas pela Nasa são tão simples que beiram o cômico. Me fez rir a placa explicativa de um “sistema de fixação para usar com capacete de decolagem do ônibus espacial”, que nada mais era do que um simples óculos de grau com velcro no lugar das hastes.

Por outro lado, me arrepiei com os enormes painéis homenageando Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, três cientistas negras que permaneceram desconhecidas pela maioria das pessoas até o lançamento de “Estrelas além do tempo” em 2017. Como mostra o filme de Theodore Melfi, elas tiveram que lutar contra as leis de segregação racial que ainda vigoravam nos Estados Unidos para desempenhar seus respectivos trabalhos, que foram essenciais para o avanço tecnológico que levou o homem à Lua. Ali também tomei conhecimento de outras mulheres importantes que passaram pela Nasa: Kathryn Peddrew, Kitty O’Brien Joyner, Pearl Young e Margaret Hamilton. 

O espaço seguinte reproduz a sala de comando em Houston, com direito a relógio de contagem regressiva e mesa de controle originais. Na sequência, os visitantes são levados a uma sala interativa que simula o lançamento de um foguete através de um telão 360º: a parte mais legal é sentir o chão tremer quando os sistemas de propulsão são acionados. Saí com uma sensação de déjà-vu e só depois me dei conta de que já tinha tido experiências muito semelhantes àquelas duas durante a visita ao Kennedy Space Center no Cabo Canaveral, clássico passeio de um dia a partir de Orlando. Outro ponto em comum é que as duas exposições incluem réplicas da cápsula da Apollo 11: a diferença é que no centro de visitantes da Nasa na Flórida é possível entrar no brinquedo, enquanto na mostra do Shopping Eldorado a ideia é apenas espiar o seu interior do lado de fora.

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O salão final é uma espécie de aterrissagem na Lua. Fazem parte da exposição uma mostra de pedra lunar e réplicas em tamanho real do Módulo Lunar Apollo e da Roving, espécie de veículo de quatro rodas que os astronautas usaram para circular pelo satélite natural. Sem falar dos pequenos objetos que estiveram no espaço, que vão desde as canetas levadas pelos astronautas até a bandeira dos Estados Unidos que estava no bolso de Charles Duke quando ele alcançou o astro em 1972. Prestes a completar 86 anos, Duke é um dos três homens ainda vivos que pisaram na Lua – e esteve em São Paulo no final de agosto especialmente para inaugurar a exposição.

Uma seleção das matérias que saíram nos jornais do mundo inteiro no dia 21 de julho de 1969, dia em que o primeiro ser humano caminhou pela superfície lunar, encerra a Space Adventure e deixa o gancho para a exposição complementar Futuro Espacial, também em São Paulo. Em cartaz no Farol Santander até 5 de dezembro, essa outra mostra foca nas futuras missões da Nasa que ainda devem ganhar as manchetes mundiais. É o caso do programa de exploração a Marte e também do projeto Artemis, que pretende levar a primeira mulher e a primeira pessoa negra para a Lua em 2024 (leia mais aqui).

Serviço

A exposição Space Adventure foi montada dentro de uma tenda de 2.600m² no estacionamento externo do Shopping Eldorado e pode ser visitada diariamente das 9h às 21h. No total, são 300 objetos e 20 réplicas trazidos de museus da Nasa e dos Estados Unidos. Os ingressos devem ser comprados com dia e horário marcados pelo site, já que cada sessão acontece com um número limitado de 30 pessoas. A inteira custa de R$ 50 a R$ 70, dependendo do período e do dia da semana, e são oferecidos descontos para estudantes, idosos e clientes Claro ou Santander. Há ainda um bilhete VIP que dá direito a acesso prioritário e acompanhamento de um guia. Nesse caso, os valores ficam entre R$ 100 e R$ 125.

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    Fonte: Viagem e Turismo

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    Post Author: FN