Roteiro: 48 horas em Dallas

Nas ruas de Dallas, Cadillacs, Chryslers e pick-ups luxuosas são onipresentes. Tudo por ali atesta: o dinheiro brota do chão, e literalmente – mais de 3 milhões de barris de petróleo são extraídos por dia na área.

O ouro negro a transformou em uma das três maiores cidades do Texas, mas Dallas não se contenta. No passado, construiu ferrovias. Hoje, abriga startups e grandes grupos de telecom.

Dallas, Texas Prédios com moldura em neon, uma marca local

Prédios com moldura em neon, uma marca local (Joel Daniel Price/Getty Images)

Esse caldo de prosperidade é deliciosamente temperado com uma forte cultura rancheira, o que resulta em um lugar que é um destinão. São mais de 50 restaurantes de churrasco, outra centena de culinária cosmopolita, museus, parques – e um jeito feliz de receber visitantes. Aqui, uma rota para você se esbaldar por lá: 

DIA 1

10h – Bom começo

O Lark on the Park serve um dos melhores brunchs de Dallas. A vista é outro presente: o restaurante fica em frente ao Klyde Warren Park, uma área verde bem na região central da cidade – e tem wi-fi! Para começar o dia em grande estilo, peça os famosos ovos benedict ou a challah french toast, com Nutella, maçãs caramelizadas e um creme delicioso feito lá mesmo.

Lark on the Park, Dallas O Lark on the Park tem um baita brunch!

O Lark on the Park tem um baita brunch! (Divulgação/Divulgação)

11h – Banho de cultura

É só atravessar o parque para conhecer um dos maiores cartões-postais da cidade, o Dallas Museum of Art, com uma imensa coleção de mais de 23 mil itens. Separe um bom tempo para ficar por lá: você vai encontrar uma impressionante aula de história da humanidade.

Há, por exemplo, artefatos datados de quase 3 000 anos a.C., como uma grande pedra de calcário representando a entrega de oferendas ao faraó, no Egito (2 575-2 134 a.C.). Mais adiante, uma bela coleção de joias, esculturas e objetos decorativos da Grécia Antiga.

Dallas Museum of Art O Dallas Museum of Art, com sua coleção bojuda, é programa essencial

O Dallas Museum of Art, com sua coleção bojuda, é programa essencial (Divulgação/Divulgação)

Alguns passos a mais, e você vai topar com um respeitável apanhado de obras de arte modernas. A lojinha também é incrível, com as ubíquas bijuterias inspiradas em obras famosas, pôsteres e boas lembrancinhas.

13h – Tex-mex

Bateu a fome, mas calma. Basta andar dois quarteirões para chegar ao El Fenix. Criado em 1918, é tão incorporado à paisagem local quanto os carrões, as moças de cabelo loiro e os arranha-céus iluminados com neon.

Prepare-se para uma das melhores margaritas da sua vida. No El Fenix, elas vêm em taças enoooormes, com bebida de sobra para deixar o dia de qualquer um mais alegrinho.

Prato do El Fenix, Dallas As enchiladas do El Fenix

As enchiladas do El Fenix (Instagram @elfenixmexican/Reprodução)

O restaurante, fundado por um descendente de mexicanos, é considerado um dos precursores da comida tex-mex. É uma delícia, pode acreditar. Na dúvida, peça a caprichada fajita ranchera, que vem com carne ou frango, guacamole, feijão e pimenta.

15h30 – Volta ao passado

Do El Fenix ao The Six Floor Museum at Dealey Plaza, a nossa próxima parada, é uma caminhada de uns 15 minutos. Dá para ir a pé, mas se a margarita e a comilança tornarem você um ser pouco propenso a andanças, é só pegar um Uber – vai custar por volta de 6 dólares.

Sixth Floor Museum, Dallas O Sixth Floor Museum, um retorno ao assassinato do ex-presidente John F. Kennedy

O Sixth Floor Museum, um retorno ao assassinato do ex-presidente John F. Kennedy (Instagram @sixthflrmuseum/Reprodução)

O museu ocupa o sexto andar de um célebre antigo depósito: foi dali que Lee Harvey Oswald atirou no presidente John F. Kennedy, em 22 de novembro de 1963, durante a passagem do cortejo presidencial pela cidade.

O Sixth Floor reproduz, com imagens e áudio, o estilo de vida e o contexto social e político, marcado por tensões raciais. O assassinato de Kennedy é contado em impressionantes detalhes – você consegue ver a janela da qual Oswald atirou e dá até para visualizar a trajetória das balas.

Saindo de lá, a dica é aproveitar para conhecer outro ícone de Dallas, uma típica loja de artigos de couro do Velho Oeste. A Wild Wild West, no número 509 da Elm Street, a rua do museu, é um bom exemplo.

Wild Wild West, Dallas A Wild Wild West, pra comprar botas e chapéus

A Wild Wild West, pra comprar botas e chapéus (Carla Aranha/Arquivo pessoal)

Com uma infinidade de botas (a maioria feita à mão), chapéus, cintos com fivelão e todos os apetrechos de um legítimo cowboy ou cowgirl, dá vontade de sair de lá andando a cavalo, chicote na mão. Se a compra passar de 30 dólares, grite “Yeee-ha!” para receber uma camiseta grátis!

18h00 – Honky Tonk

Na própria Elm Street, no número 2 708, fica um dos bares mais cools de Dallas, o Black Swan Saloon. Escondidinho, sem placa na porta, atrai gente de vários perfis e muitos casais e grupos de amigos.

Os drinks, muitas vezes, são elaborados pelo próprio dono e sua equipe – diminuta, mas competente – de simpáticos barmen. Um dos mais pedidos é o balsamic berry, com gim, morango, vinagre balsâmico (isso mesmo!) e uma pitada de pimenta, que cai bem com a porção de tacos.

Black Swan Saloon, Dallas O Black Swan Saloon, um bar cool que só ele

O Black Swan Saloon, um bar cool que só ele (Divulgação/Divulgação)

Caso você esteja em busca de uma experiência mais texana de raiz, digamos assim, vá até o Billy Bob’s Texas, um dos maiores honky tonks (ou casas de música country) do mundo. Fica a 40 minutos da Elm Street – de Uber, custa cerca de 40 dólares. Cantores e bandas superanimadas se apresentam para uma plateia mais animada ainda, disposta a dançar a noite toda.

Atenção, stopover!

A American Airlines, com sede em Dallas, oferece paradas estendidas de até cinco dias na cidade para quem voa do Brasil com destino ao Canadá ou à Europa, partindo de capitais como Rio de Janeiro e São Paulo.

Para reservar uma passagem com stopover, basta entrar no site da aérea, clicar em Reservar voos, depois em Pesquisa avançada e, no campo Cidades e Datas, ir para Várias cidades. Não há custo adicional para comprar o bilhete com stopover.

DIA 2

9h30 – Bicharada

A noite foi boa, mas é seu último dia na cidade e agora cada minuto conta. Por isso, coragem. Para começar a manhã, vale um passeio ao Dallas World Aquarium, um misto de aquário e zoológico. Tem várias espécies de peixes, tubarões e outros seres marinhos… E aves, reptéis, roedores… Ah, e uma minifloresta com macaquinhos e tucanos.

Dallas World Aquarium O Dallas World Aquarium, um bom passeio matinal

O Dallas World Aquarium, um bom passeio matinal (Randy Stewart/Flickr)

10h30 – Alternativolândia

Ali perto, a dez minutos de carro – com Uber sai por cerca 10 dólares –, o Bishop Arts District é uma espécie de reino encantado da produção alternativa, um centro comercial que reúne mais de 60 galerias, cafés, lojas de decoração e de bikes, empórios, grifes independentes, bares, teatros.

Bishop Arts District, Dallas Mural no Bishop Arts District, lugar para compras descoladas

Mural no Bishop Arts District, lugar para compras descoladas (Lonstar3000/Flickr)

Aos domingos, costuma ter música ao vivo na rua. E três ou quatro vezes por ano acontece por ali o Wine Walk, um divertido evento de degustação de vinhos que toma vários cafés e restaurantes – as datas ficam disponíveis no site do Bishop District.

12h30 – Premium

A 15 minutos do Bishop Arts District, ou 9 dólares com o Uber, está o premiado Fearing’s, no número 2 121 da McKinney Avenue, dentro do hotel Ritz Carlton. Sob a batuta do chef Dean Fearing, serve pérolas da nova cozinha sulista americana, como costela com cebola crocante e pata de caranguejo com pimenta-jalapenho.

Prato do Fearing's, Dallas Prato do chique e premiado Fearing’s

Prato do chique e premiado Fearing’s (Divulgação/Divulgação)

A 400 metros dali, uma alternativa mais em conta e com comida farta pode, em um primeiro momento, soar para os brasileiros como o cúmulo da falta de imaginação para um almoço em Dallas.

É uma churrascaria… brasileira! O Fogo de Chão virou programa local, frequentado por famílias de americanos. Serve generosas porções de costela, picanha e outras delícias, com pão de queijo, claro.

16h – Mergulho na arte

Não dá para ir embora de Dallas sem conhecer o Kimbell Art Museum. Uma má notícia: ele fica em outra cidade, Forth Worth. Uma boa: é pertinho de Dallas – com o Uber, custa 30 dólares a corrida a partir do Fearing’s. E uma ótima notícia: não está tão longe do aeroporto – para onde você vai ter de voltar mesmo.

Vale cada centímetro do esforço de locomoção para ver uma incrível coleção de grandes obras de arte. Destaque para o período do Renascimento. Você vai ficar de frente para pinturas de mestres como Fra Angelico e Giovanni Bellini.

Kimbell Art Museum, Fort Worth Vale uma ida até Fort Worth para visitar o Kimbell Art Museum

Vale uma ida até Fort Worth para visitar o Kimbell Art Museum (Divulgação/Divulgação)

E a modernosa ala nova do museu, inaugurada em 2013, é, em si, uma atração, que vale uma olhadinha atenta: foi desenhada por uma das estrelas da arquitetura mundial, o italiano Renzo Piano.

18h30Tempero final

Para fechar com chave de ouro o passeio, o Andalous Mediterranean Grill, a meia hora do Kimbell Art Museum – ou 30 dólares pelo Uber – e perto do aeroporto –, é uma boa pedida com custo/benefício.

Andalous Mediterranean Grill A última parada antes do aeroporto: uma comidinha no Andalous Mediterranean Grill

A última parada antes do aeroporto: uma comidinha no Andalous Mediterranean Grill (Divulgação/Divulgação)

O restaurante, especializado em culinária do Oriente Médio, serve uma ótima entrada de cogumelos com queijo feta, espinafre e azeitona e saborosos espetinhos, como o shawarma, de carne ou frango, com molho de iogurte caseiro, um mix de pimentas, picles e tomate.

Depois, é só seguir para seu terminal aéreo: em menos de 15 minutos você chega lá – ou 13 dólares, o último Uber do roteiro.

Publicado na edição 259 da revista Viagem e Turismo

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