Entrevista com a Advogada Lea Bitten

Leia, qual sua origem no Brasil, estado, cidade, e há quanto tempo você vive  Estados…

Leia, qual sua origem no Brasil, estado, cidade, e há quanto tempo você vive  Estados Unidos?

Meu nome é Lea Oliveira, nasci e cresci em São Paulo, me formei em direito na FMU de São Paulo no ano de 2012, fiz pós-graduação em direito trabalhista e previdenciário, atuei na área trabalhista desde 2010 até 2014. Estou nos EUA há apenas cinco anos e atuo na área de imigração há 3 anos.

Qual foi o seu percurso nos EUA até se instalar em Connecticut?

Minha vida no Brasil era confortável: eu tinha uma casa, uma loja de autopeças, meu escritório de advocacia, mas eu não estava feliz. Eu tinha um sonho de fazer mestrado nos EUA, meu filho mais velho queria fazer intercâmbio aqui e eu me sentia insegura em São Paulo devido a vários assaltos, assassinatos e sequestros na vizinhança.

Como foi para você esta mudança de país, foi uma coisa planejada ou aconteceu na sua vida?

Em Fevereiro de 2014 vim com meus filhos para Stamford, para visitar algumas Universidades. Eu já sabia sobre a possibilidade de me tornar advogada nos EUA, mas eu precisava ter certeza se eu e meus filhos iriamos nos adaptar com o país. Tudo correu super bem, minha entrevista na UCONN e na Universidade St John’s foram ótimas. Decidi ficar na UCONN já que o preço era a metade. Minha aplicação foi aprovada imediatamente e meus filhos nunca demonstraram nenhum problema quando eu mencionei sobre a possibilidade de ficarmos aqui definitivamente.

Fale um pouco como foi seu processo de adaptação?

Comecei meu mestrado na UCONN em Maio de 2014. Eu pensava que falava inglês fluente, mas descobrir que meu inglês estava péssimo. Todos os dias eu tinha que ler centenas de página de caso jurídicos da corte suprema dos Estados Unidos. Muitas palavras eram novas para mim, então eu vivia com um dicionário e lápis, marcando todas as palavras com seus respectivos significados. Em maio de 2015 me formei. Comecei a trabalhar como paralegal em um escritório de imigração em Manhattan e ao mesmo tempo eu estudava para o BAR de fevereiro/2016, equivalente ao nosso OAB.

O que você mais gosta do lado profissional e pessoal  morando aqui nos EUA?

Eu reprovei o exame duas vezes. Cheguei a ficar muito nervosa, porque eu larguei tudo no Brasil: casa, empresa, escritório de advocacia, minha mãe e irmãos. Se eu não passasse no BAR tudo estaria perdido. Todo o dinheiro que eu gastei, todo o tempo de estudo, etc. Mas, com muita alegria, tirando um tremendo peso das minhas costas, em fevereiro de 2017 eu consegui passar no exame mais difícil da minha vida.

Por gentileza, fale um pouco do seu trabalho e do seu  envolvimento com a comunidade Brasileira como advogada de imigração.

Depois que eu consegui oficialmente me tornar advogada nos EUA, fui promovida a advogada de imigração. Trabalhei em vários casos de deportação, visto U, green cards, perdão, processo consular, pedidos de reabertura de deportação, visita a detenções, etc.

Em 2018 eu decidi arriscar e abrir meu próprio escritório em Stamford, na cidade onde moro. Mesmo com pouca experiência, eu senti que estava preparada, além disso, tenho o suporte da Associação de advogados de imigração (AILA) que me dão suporte para os casos mais complicados. Desde então, comecei a receber diversas ligações de brasileiros que buscavam advogado que falasse Português. Me sinto realizada pessoalmente e profissionalmente. Todos meus clientes, sem exceção, gostam muito do meu trabalho. Sou constantemente elogiada por minha atenção e agilidade em cada caso. Adoro ajudar as pessoas. Sinto-me importante cada vez que uma aplicação é aprovada. É como se fosse minha própria aplicação.

Um conselho para quem gostaria de imigrar nos Estados Unidos.

Diariamente leio posts no Facebook de pessoas que querem vir aos Estados Unidos. Já cheguei a receber mensagens me perguntando como vir ilegalmente aos EUA. Eh claro que eu não respondo esse tipo de pergunta. Uma coisa eh auxiliar uma pessoa que está aqui dentro e que precisa de assessoria jurídica. Outra coisa, eh auxiliar uma pessoa a vir para cá ilegalmente. Não encorajo ninguém a fazer isso.

Por experiência própria e por observar meus clientes e amigos, eu posso dizer: A vida aqui não eh fácil e não eh para qualquer um. O imigrante tem que trabalhar muito duro, tem que aprender outro idioma, sofre com discriminação, come muito sapo, é explorado por outros brasileiros, sofre com a distância da família e dos amigos, além da dívida enorme que deixa pra trás. Para muitos, valeu a pena estar aqui, para outros, os EUA foi apenas uma ilusão. No meu caso, valeu a pena cada decisão que tomei, mas eu me considero uma pessoa de muito sorte e protegida por Deus.

Não tenho plano de viver no Brasil novamente. Adoro os Estados Unidos, sou apaixonada por meu marido e filhos. A única coisa que me entristece aqui é o atual presidente que destila tanto ódio, racismo e preconceito. Eu espero do fundo do meu coração que ele não seja reeleito. Eu acredito que os imigrantes, seja ele ilegal ou não, merecem ser tratados com respeito. Todos, ou pelo menos a maioria, são trabalhadores, pais de família, que só querem um futuro melhor.

Muito obrigada e desejo muito sucesso para você.

Contato:

Endereço: 84 W Park Place, 3º andar, Stamford, CT 06901

Fone: (203) 428-1509

email: lea@leaoliveira.com

websitewww.leaoliveira.com

Fonte: Redação Braziliantimes

Fonte: Brazilian Times